Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 18 de fevereiro de 2026 · 2 min de leitura ·

Tubarão de 150 milhões de anos desafia história evolutiva

Tubarão de 150 milhões de anos desafia história evolutiva

Um artigo publicado nesta terça-feira (17) na revista Communications Biology revela que um tubarão pré-histórico da era dos dinossauros está desafiando a forma como os cientistas entendem a evolução dos tubarões modernos. Restos mortais analisados não se encaixam com segurança em nenhuma das ordens atuais, levantando dúvidas sobre classificações feitas até hoje.

Batizado de Bavariscyllium, o animal media cerca de 25 centímetros e tinha corpo fino e alongado. Ele viveu há aproximadamente 150 milhões de anos. Seus fósseis foram encontrados no Calcário de Solnhofen, no sul da Alemanha, um dos depósitos mais famosos do mundo pela preservação detalhada de organismos antigos.

O estudo foi conduzido por uma equipe internacional liderada por Sebastian Stumpf, do Museu de História Natural de Viena e da Universidade de Viena, na Áustria. Os pesquisadores analisaram vários esqueletos e dentes isolados do animal. Com isso, conseguiram uma descrição muito mais precisa do tubarão do que era possível anteriormente.

Um dos aspectos mais curiosos do Bavariscyllium é a presença de uma estrutura sensorial semelhante a um “bigode” na região da garganta. Esse órgão provavelmente detectava estímulos físicos na água, ajudando o animal a localizar presas. Hoje, estruturas parecidas existem apenas em alguns tubarões-tapete-de-colarinho.

Esse grupo faz parte da ordem Orectolobiformes, que inclui espécies como o tubarão-baleia, o maior peixe vivo do planeta, capaz de atingir até 18 metros de comprimento. No entanto, o fóssil também apresenta características semelhantes às dos tubarões-gato modernos, pertencentes à ordem Carcharhiniformes, grupo que reúne a maior diversidade de espécies atuais.

Por causa dessas semelhanças, o Bavariscyllium chegou a ser classificado como um tubarão-de-fundo. Agora, os cientistas afirmam que as características observadas não são suficientes para incluí-lo com segurança em nenhum desses grupos. Segundo os autores, isso mostra que a evolução inicial dos tubarões foi mais variada do que se imaginava.

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