Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 19 de fevereiro de 2026 · 2 min de leitura ·

Noites tinham primeiro e segundo turno de sono – como o intervalo se perdeu

Noites tinham primeiro e segundo turno de sono – como o intervalo se perdeu

Dormir oito horas seguidas é mais um hábito moderno do que uma regra biológica. Durante séculos, muitas pessoas acordavam no meio da noite e depois voltavam a dormir, um padrão que hoje nos parece estranho, mas era comum.

Historicamente, o sono noturno era dividido em dois períodos chamados “primeiro sono” e “segundo sono”. Cada etapa durava várias horas e era separada por um intervalo de vigília de uma hora ou mais.

Registros de diferentes partes do mundo mostram que, após o anoitecer, famílias iam dormir cedo e acordavam por volta da meia-noite. Nesse intervalo, permaneciam acordadas antes de voltar a dormir até o amanhecer.

Esse intervalo de vigília não era visto como perda de tempo. Pelo contrário, marcava o centro da noite, ajudando as pessoas a lidar com longos períodos de escuridão, especialmente no inverno.

Durante esse tempo, algumas pessoas cuidavam de tarefas domésticas ou dos animais. Outras rezavam, refletiam sobre sonhos ou liam. Cartas e diários antigos também registram momentos de socialização entre vizinhos e familiares. E, claro, casais aproveitavam a hora para a intimidade.

O desaparecimento do segundo sono ocorreu nos últimos 200 anos, influenciado por mudanças sociais e tecnológicas. A iluminação artificial foi decisiva. Primeiro com lâmpadas a óleo, depois gás e luz elétrica, a noite passou a ser mais aproveitável para atividades, adiando o horário de dormir.

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