
Dormir oito horas seguidas é mais um hábito moderno do que uma regra biológica. Durante séculos, muitas pessoas acordavam no meio da noite e depois voltavam a dormir, um padrão que hoje nos parece estranho, mas era comum.
Historicamente, o sono noturno era dividido em dois períodos chamados “primeiro sono” e “segundo sono”. Cada etapa durava várias horas e era separada por um intervalo de vigília de uma hora ou mais.
Registros de diferentes partes do mundo mostram que, após o anoitecer, famílias iam dormir cedo e acordavam por volta da meia-noite. Nesse intervalo, permaneciam acordadas antes de voltar a dormir até o amanhecer.
Esse intervalo de vigília não era visto como perda de tempo. Pelo contrário, marcava o centro da noite, ajudando as pessoas a lidar com longos períodos de escuridão, especialmente no inverno.
Durante esse tempo, algumas pessoas cuidavam de tarefas domésticas ou dos animais. Outras rezavam, refletiam sobre sonhos ou liam. Cartas e diários antigos também registram momentos de socialização entre vizinhos e familiares. E, claro, casais aproveitavam a hora para a intimidade.
O desaparecimento do segundo sono ocorreu nos últimos 200 anos, influenciado por mudanças sociais e tecnológicas. A iluminação artificial foi decisiva. Primeiro com lâmpadas a óleo, depois gás e luz elétrica, a noite passou a ser mais aproveitável para atividades, adiando o horário de dormir.
Entre para comentar.