Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 24 de fevereiro de 2026 · 2 min de leitura ·

Descoberta revela que humanos já tinham ‘alfabeto’ muito antes da invenção da escrita

Descoberta revela que humanos já tinham 'alfabeto' muito antes da invenção da escrita

Uma pesquisa publicada esta semana nos Anais da Academia Nacional de Ciências revelou que humanos já tinham uma forma de comunicação por sinais própria muito antes da invenção formal da escrita.

A descoberta se deu a partir de marcas gravadas em ferramentas e pequenas esculturas produzidas por caçadores-coletores europeus há cerca de 43 mil anos. A análise revelou que as marcas não eram simples ornamentos aleatórios, como se pensava, mas sim parte de um sistema estruturado de comunicação – uma espécie de alfabeto.

Para chegar nessa conclusão, os pesquisadores examinaram mais de 3 mil marcas distribuídas em 260 objetos distintos, muitos deles encontrados nos Alpes da Suábia, na Alemanha. As peças foram atribuídas à cultura aurignaciana, associada aos primeiros humanos modernos que chegaram à Europa Central.

Entre elas estão estatuetas representando figuras humanas, mamutes e leões, além de ferramentas de pedra. A investigação utilizou métodos computacionais para identificar padrões de repetição, combinações e sequências nos símbolos.

Cruzes, linhas, pontos e entalhes aparecem de forma recorrente nos artefatos. Embora o significado exato desses sinais permaneça desconhecido, a distribuição não parece aleatória. Segundo Christian Bentz, da Universidade do Sarre, ao site IFLScience, certos símbolos aparecem associados a temas específicos. Por exemplo, cruzes aparecem associadas a figuras de animais, especialmente mamutes e cavalos, mas não em figuras humanas. Já os pontos tendem a surgir em representações de humanos e de leões, mas não em outros animais nem em ferramentas.

Um exemplo é a estatueta conhecida como “Adorante”, feita em marfim de mamute e representando uma figura híbrida entre leão e humano. O objeto traz uma sequência de pontos que, de acordo com Ewa Dutkiewicz, do Museu de Pré-História e História Antiga de Berlim, pode indicar que características atribuídas ao leão eram simbolicamente associadas também ao humano retratado.

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