Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 24 de fevereiro de 2026 · 2 min de leitura ·

“Fogos de artifício” cósmicos ajudam a medir a expansão do Universo

“Fogos de artifício” cósmicos ajudam a medir a expansão do Universo

Uma supernova superluminosa que aparece cinco vezes no céu, como se fossem fogos de artifício cósmicos, pode ajudar a medir a taxa de expansão do Universo. O fenômeno foi registrado por astrônomos da Technical University of Munich (TUM), da Ludwig Maximilians University (LMU) e dos institutos Max Planck MPA e MPE, após seis anos de busca por um evento desse tipo. O objeto, localizado a cerca de 10 bilhões de anos-luz, foi identificado em agosto de 2025 após seis anos de busca por sistemas promissores.

A explosão estelar, oficialmente chamada SN 2025wny e apelidada de SN Winny, aparece cinco vezes no céu devido ao fenômeno de lente gravitacional. Duas galáxias em primeiro plano desviam a luz da supernova, criando múltiplas imagens com atrasos diferentes de chegada à Terra. Ao medir esses intervalos, os pesquisadores podem calcular a constante de Hubble, que expressa a velocidade atual de expansão do cosmos.

A SN Winny é classificada como uma supernova superluminosa, muito mais brilhante que explosões estelares típicas. Segundo Sherry Suyu, professora associada de Cosmologia Observacional na TUM e pesquisadora do MPA, a probabilidade de encontrar uma supernova superluminosa perfeitamente alinhada com uma lente gravitacional adequada é inferior a uma em um milhão.

“Apelidamos essa supernova de SN Winny, inspirados em sua designação oficial SN 2025wny. É um evento extremamente raro que pode desempenhar um papel fundamental para aprimorar nossa compreensão do cosmos”, afirmou Suyu. Ela explicou que a equipe compilou, ao longo de seis anos, uma lista de lentes gravitacionais promissoras até que, em agosto de 2025, o evento coincidiu exatamente com uma delas.

Para determinar a distribuição de massa das galáxias que atuam como lente — fator essencial para medir com precisão os atrasos temporais — pesquisadores do MPE e da LMU utilizaram o Large Binocular Telescope, no Arizona (EUA). O telescópio conta com dois espelhos de 8,4 metros de diâmetro e um sistema de óptica adaptativa que corrige distorções atmosféricas. O resultado foi a primeira imagem colorida de alta resolução do sistema já publicada.

As observações revelaram duas galáxias centrais e cinco cópias azuladas da supernova, configuração incomum, já que sistemas em escala de galáxia costumam gerar apenas duas ou quatro imagens. A partir dessas posições, Allan Schweinfurth (TUM) e Leon Ecker (LMU) desenvolveram o primeiro modelo de distribuição de massa do sistema.

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