
O que parecia ser apenas mais uma noite comum de lockdown no Reino Unido acabou se transformando em um capítulo marcante para a ciência planetária. Em 28 de fevereiro de 2021, às 21h54 no horário local, uma intensa bola de fogo cruzou os céus do país. O objeto, um fragmento rochoso tão antigo quanto o próprio Sistema Solar, entrou na atmosfera a cerca de 13,5 quilômetros por segundo antes de se fragmentar e cair sobre a região de Gloucestershire, no sul da Inglaterra.
Moradores relataram o clarão, enquanto câmeras instaladas por entusiastas de meteoros e até campainhas residenciais registraram a passagem do objeto. A análise das imagens indicou que possíveis fragmentos teriam atingido a área de Winchcombe, uma pequena cidade da região.
Minutos depois da passagem luminosa, por volta das 22h, um integrante da família Wilcock ouviu um ruído do lado de fora de casa. Mais tarde, a descrição do som foi comparada à de um quadro caindo da parede. Naquele momento, eles ainda não sabiam, mas haviam sido as únicas pessoas no mundo a ouvir a queda de um meteorito recém-chegado do espaço.
Na manhã seguinte, os Wilcock encontraram um material escuro espalhado na entrada da garagem. A aparência lembrava pedaços de carvão e havia até uma pequena marca no piso. Em conversas no grupo da família, alguém sugeriu que o objeto poderia estar relacionado à bola de fogo noticiada na noite anterior. Ao perceberem que estavam na área indicada pelos primeiros comunicados científicos, decidiram recolher o material improvisando recipientes, como potes de iogurte e sacos plásticos.
A rapidez foi decisiva. Os Wilcock avisaram o Museu de História Natural de Londres, e pesquisadores se mobilizaram para analisar o fragmento. Segundo a cientista planetária Helena Bates, ao site IFLScience, a coleta quase imediata foi um dos fatores que tornaram o meteorito de Winchcombe particularmente valioso. A rocha não foi exposta à chuva, o que ajudou a preservar compostos sensíveis, inclusive materiais solúveis em água que poderiam ter sido perdidos.
O meteorito foi classificado como um condrito carbonáceo, tipo que representa cerca de 4,6% das quedas registradas. Ele não é o mais raro, mas seu estado de conservação permitiu análises comparáveis àquelas realizadas em amostras trazidas por missões espaciais em asteroides.
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