
Uma lápide romana do século II foi encontrada parcialmente enterrada no jardim de uma casa histórica em Nova Orleans, nos Estados Unidos, e identificada como peça desaparecida de um museu italiano desde a Segunda Guerra Mundial. A descoberta ocorreu em março, quando a antropóloga Daniella Santoro, professora da Tulane University, e seu marido, Aaron Lorenz, limpavam a vegetação do imóvel localizado no número 1106 da Cambronne Street, no bairro de Carrollton.
A inscrição da pedra diz: “D(is) M(anibus)/S(e)x(to) Congenio Vero/mi(liti) cl(assis) p(raetoriae) Mi(senensis) natio(ne) Bes(so)/vixit an(nis) XLII mi(litavit) an(nis)/XXII, Tutela ((triere)) Asc(l)epio/fece(runt) Atilius Carus/et Vettius Longi/nus heredes/b(ene) m(erenti)”, que se traduz como: “Aos Espíritos dos Mortos, para Sexto Congênio Vero, soldado da frota pretoriana Misenensis, da tribo (natio) dos Bessi [isto é, um trácios], que viveu 42 anos e serviu 22 no exército, no trirreme Asclepius. Atilius Carus e Vettius Longinus, seus herdeiros, fizeram (isto) para ele, bem merecedor.”
Ao se deparar com uma placa de mármore com inscrição em latim, o casal temeu que a casa pudesse ter sido construída sobre um cemitério esquecido. A hipótese não era improvável: há registros de antigos cemitérios na cidade que foram posteriormente ocupados por construções, incluindo áreas onde pessoas escravizadas foram enterradas. Santoro então procurou especialistas da University of New Orleans (UNO) para avaliar a peça.
“Você vê algo assim e pensa: isso não é algo comum”, afirmou Santoro à Associated Press ao relatar a surpresa com o texto gravado na peça.
As fotografias da pedra foram analisadas por diferentes pesquisadores. Entre eles, Harald Stadler, da University of Innsbruck, que compartilhou o material com um professor de latim, e Susann S. Lusnia, professora associada de Estudos Clássicos na Tulane.
De forma independente, os especialistas chegaram à mesma conclusão: tratava-se de uma inscrição funerária romana dedicada a um marinheiro chamado Sextus Congenius Verus. O registro, datado aproximadamente do século II, já havia sido documentado anteriormente. Uma pedra com descrição idêntica constava como desaparecida do National Archaeological Museum of Civitavecchia, na Itália.
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