
Na última semana, a equipe responsável pelo primeiro telescópio espacial comercial do planeta divulgou suas medições iniciais, marcando o início de uma nova fase na astronomia. A missão, chamada Mauve, pretende monitorar estrelas próximas que possam abrigar exoplanetas potencialmente habitáveis. Trata-se de uma iniciativa privada que aposta em agilidade e menor custo para ampliar a produção de dados científicos no espaço.
Com o tamanho aproximado de uma mala de viagem, o satélite foi lançado em novembro passado a bordo de um foguete Falcon 9, da SpaceX. O equipamento é o primeiro de uma frota planejada de pequenas espaçonaves comerciais, pensadas para oferecer tempo de observação a pesquisadores do mundo todo.
Até agora, áreas como telecomunicações e monitoramento da Terra já contavam com forte presença de empresas privadas. A astronomia, porém, permanecia concentrada em agências espaciais e instituições públicas. A Blue Skies Space, empresa sediada em Londres e ligada à University College London, na Inglaterra, decidiu apostar em um modelo orientado para clientes científicos.
A proposta é simples: oferecer acesso mais rápido e flexível a observações espaciais. Em vez de esperar anos por uma vaga em grandes telescópios públicos, equipes de pesquisa podem contratar diretamente o serviço. Segundo a empresa, isso ajuda a preencher lacunas no conhecimento sobre o Universo de forma mais ágil.
No dia 9 de fevereiro, após meses de testes e calibração, o Mauve realizou sua primeira observação oficial. O alvo foi a estrela Eta Ursae Majoris, situada a cerca de 104 anos-luz da Terra. A captura durou cinco segundos e registrou dados tanto na faixa da luz visível quanto na ultravioleta.
Eta Ursae Majoris é uma das estrelas mais brilhantes da constelação da Ursa Maior. Ela é mais quente que o Sol e emite intensa radiação ultravioleta, justamente a especialidade do novo telescópio. A escolha do alvo foi estratégica, pois se trata de uma estrela estável e já estudada anteriormente por outros instrumentos.
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