
O 3I/ATLAS tem uma particularidade: ele carrega uma quantidade de álcool muito superior à dos cometas do nosso Sistema Solar. Por meio do ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), um dos maiores complexos de radiotelescópios do mundo, cientistas detectaram abundância incomum de metanol, tipo simples de álcool, no cometa interestelar.
Como o cometa veio de fora da nossa vizinhança cósmica, ele funciona como uma cápsula do tempo preservada há bilhões de anos. Ao analisar sua química, astrônomos conseguem “ler” a receita de como planetas e estrelas se formam em regiões do Universo que estão longe demais para visitas diretas.
Para entender do que o cometa é feito, os pesquisadores observaram a sua coma (nuvem brilhante de gás e poeira que surge quando o calor do Sol derrete a superfície gelada do astro).
Durante esse processo de aquecimento, o material congelado é liberado para o espaço. Isso emite sinais químicos que servem como uma impressão digital da origem do objeto, explicou o astrônomo Nathan Roth, da American University (EUA) e autor principal do estudo, num comunicado.
O estudo focou na comparação entre o metanol e o cianeto de hidrogênio, duas moléculas orgânicas comuns nesse tipo de corpo celeste. E os dados mostraram que o álcool é de 70 a 120 vezes mais abundante que o cianeto no 3I/ATLAS.
Essa proporção extrema indica que o gelo formado no cometa nasceu sob condições ambientais muito diferentes das que deram origem aos cometas que orbitam o nosso Sol.
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