Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 15 de março de 2026 · 2 min de leitura ·

Gelo seco é detectado pela primeira vez em uma nebulosa planetária 

Gelo seco é detectado pela primeira vez em uma nebulosa planetária 

Astrônomos identificaram pela primeira vez gelo seco – formado por dióxido de carbono congelado – em uma nebulosa planetária. A descoberta foi feita com observações do Telescópio Espacial James Webb (JWST), da NASA, considerado o observatório mais avançado da atualidade para estudar o Universo em luz infravermelha.

O objeto analisado foi a nebulosa NGC 6302, um sistema cósmico bastante complexo. Os resultados do estudo foram disponibilizados no repositório científico arXiv e ainda aguardam revisão por outros especialistas para publicação. Segundo os pesquisadores, esta é a primeira vez que gelo seco é detectado nesse tipo de estrutura espacial.

Nebulosas planetárias surgem quando estrelas semelhantes ao Sol chegam ao final de suas vidas. Nesse estágio, a estrela expulsa grandes quantidades de gás e poeira para o espaço, formando uma espécie de casulo em expansão. Embora não sejam muito comuns, esses objetos ajudam cientistas a entender melhor a composição do material presente entre as estrelas.

A NGC 6302 é conhecida popularmente como Nebulosa da Borboleta, devido ao formato de suas nuvens luminosas. Ela fica a cerca de 3.400 anos-luz da Terra, na constelação de Escorpião. A estrutura possui dois grandes lóbulos brilhantes e um denso anel de poeira no centro, chamado de toro, que divide a nebulosa ao meio.

Observações anteriores já indicavam que esse ambiente abriga uma química sofisticada. Estudos detectaram, por exemplo, a presença do cátion metil, uma molécula importante em reações químicas orgânicas. Também foram identificados hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, compostos ricos em carbono encontrados em diversos ambientes cósmicos.

Essas pistas levaram uma equipe liderada pela astrônoma Charmi Bhatt, da Universidade de Western Ontario (Canadá), a investigar mais profundamente a nebulosa. Para isso, os cientistas utilizaram o Instrumento de Infravermelho Médio (MIRI) do Webb, capaz de detectar sinais químicos invisíveis a telescópios comuns.

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