Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 18 de março de 2026 · 2 min de leitura ·

Cocaína, cannabis e nicotina encontradas em múmias do Egito são investigadas  

Cocaína, cannabis e nicotina encontradas em múmias do Egito são investigadas  

No início da década de 1990, vestígios de substâncias como cocaína, nicotina e cannabis identificados em múmias do Egito Antigo levantaram uma das controvérsias mais curiosas da arqueologia. 

A descoberta sugeria que essas drogas teriam sido utilizadas milhares de anos antes de qualquer contato conhecido entre o Velho e o Novo Mundo. A hipótese intrigou cientistas: como compostos típicos da América do Sul poderiam aparecer em corpos egípcios?

A cocaína, por exemplo, é extraída de plantas do gênero Erythroxylum, nativas da América do Sul. Povos andinos já utilizavam essas folhas há milênios, valorizando seus efeitos estimulantes e medicinais. Registros históricos indicam que a planta era usada para aliviar fome, dor e fadiga, além de ter papel importante em rituais culturais. Seu uso fora desse continente só teria se expandido após a chegada dos colonizadores europeus.

Apesar disso, um estudo publicado em 1992 trouxe resultados surpreendentes. A toxicologista alemã Svetlana Balabanova e sua equipe analisaram tecidos, cabelos e ossos de múmias datadas entre 1070 a.C. e 395 d.C. Segundo os pesquisadores, todas as amostras apresentavam traços de cannabis, a maioria continha nicotina e algumas indicavam presença de cocaína. Os achados geraram forte repercussão e também desconfiança na comunidade científica.

Com o aumento das críticas, surgiram hipóteses ousadas para explicar os resultados. Uma delas sugeria que os antigos egípcios teriam realizado viagens transatlânticas e estabelecido contato com povos da América do Sul. No entanto, essa ideia contraria o conhecimento histórico consolidado e não possui evidências arqueológicas sólidas que a sustentem.

Outros pesquisadores tentaram reproduzir os resultados em análises independentes. Em geral, os estudos confirmaram apenas a presença ocasional de nicotina, mas não encontraram cocaína nem THC nas múmias examinadas. Essa inconsistência reforçou a suspeita de que os resultados iniciais poderiam estar comprometidos por falhas metodológicas ou fatores externos.

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