Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 22 de março de 2026 · 2 min de leitura ·

Abelhas-rainha conseguem sobreviver debaixo d’água, aponta estudo

Abelhas-rainha conseguem sobreviver debaixo d'água, aponta estudo

As abelhas-rainhas podem ser muito mais “rainhas” do que imaginávamos. Além de serem as únicas fêmeas férteis da colmeia e capazes de gerar uma colônia inteira, elas provaram ser também verdadeiras campeãs de sobrevivência.

Segundo um estudo publicado neste mês na revista científica Proceedings of the Royal Society B, esses insetos conseguem passar dias debaixo d’água sem se afogar. Essa habilidade ocorre graças a uma combinação de hibernação com uma estratégia surpreendente: elas continuam (pasmem!) respirando enquanto estão submersas.

Em 2024, a pesquisadora Sabrina Rondeau, da Universidade de Guelph, no Canadá, testava os efeitos de pesticidas nas abelhas-rainha. Após esse experimento, algumas abelhas ficaram completamente submersas depois que a condensação do produto as manteve na água. Mas a grande descoberta foi que, mesmo após alguns dias de submersão, as abelhas sobreviveram.

A partir da descoberta, Sabrina e alguns outros cientistas começaram a explorar o acontecimento e decidiram submeter 100 abelhas-rainha da espécie Bombus impatiens, a alguns testes. Para simular as condições nas quais a abelha atingiria essa condição de “hibernação”, os insetos foram submersos em água fria e mantidos em uma espécie de “caixa de oxigênio”. Analisando os resultados, o grupo de pesquisadores identificou um aumento no dióxido de carbono e a diminuição do O₂ do ambiente, demonstrando que as abelhas ainda respiravam.

Segundo a pesquisa, isso ocorre por um fenômeno chamado diapausa. As abelhas-rainha passam por essa fase visando à preservação de sua fertilidade e proteção, principalmente de mudanças climáticas que possam dificultar sua sobrevivência. Nesse período, elas encontram tocas e ambientes seguros para iniciarem a diapausa, diminuindo 99% das atividades do seu metabolismo e chegando a essa hibernação.

No entanto, os locais escolhidos nem sempre estão completamente seguros. Alguns deles ficam sujeitos a inundações e outros tipos de influência externa, e é nesse caso que a importância da adaptação da abelha-rainha fica evidente. A drástica diminuição de seu metabolismo faz com que sua necessidade de oxigênio tenha uma queda significativa, permitindo sua vida mesmo após estar completamente submersa por vários dias.

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