Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 26 de março de 2026 · 2 min de leitura ·

Anomalia no interior de Marte faz planeta girar mais rápido e diminui duração dos dias

Anomalia no interior de Marte faz planeta girar mais rápido e diminui duração dos dias

Cientistas já sabiam que Marte gira um pouco mais rápido a cada ano, mas até agora ninguém sabia por quê. Um novo estudo, publicado no Journal of Geophysical Research: Planets, sugere que a causa está abaixo da superfície: uma grande massa de rocha que se movimenta sob a crosta do planeta.

Isso não apenas pode explicar a rotação acelerada de Marte, como também mostra por que o planeta consegue reter calor geológico por muito mais tempo do que se imaginava – levando os pesquisadores a repensar como mundos rochosos pequenos esfriam e se tornam inativos.

Bart Root, professor assistente de exploração planetária na Universidade de Tecnologia de Delft, na Holanda, e autor do estudo, explicou ao site LiveScience que a superfície de Marte é antiga e cheia de processos complexos, mas ainda pouco compreendidos. “Entender o interior nos ajuda a decifrar a história do planeta e do Sistema Solar”.

Marte abriga alguns dos maiores vulcões e montanhas do sistema solar. Diferentemente da Terra, ele não possui placas tectônicas que movem a crosta e causam vulcões. Aqui, a lava antiga permanece onde cai, formando estruturas enormes ao longo do tempo. É assim que surgiu Tharsis, uma região vulcânica de seis mil quilômetros de extensão.

Em 2018, a NASA enviou a sonda InSight para estudar o interior de Marte. O equipamento mediu a espessura da crosta e ajudou a entender melhor como o planeta funciona por dentro. Com esses dados, Root e sua equipe fizeram simulações para descobrir que tipo de estrutura poderia criar a região vulcânica de Tharsis.

Os modelos indicaram a existência de uma pluma de material mais leve que a rocha ao redor, chamada de “anomalia de massa negativa”, localizada no manto sob Tharsis. Essa anomalia pode explicar por que a região é tão grande e cheia de vulcões, e ainda indica que Marte pode ter nova atividade vulcânica no futuro.

Compartilhe