
Um fragmento minúsculo do asteroide Bennu trouxe uma descoberta fundamental para a compreensão da vida no Sistema Solar. Contrariando a lógica de que a água poderia degradar moléculas orgânicas sensíveis, pesquisadores descobriram que o líquido pode ter desempenhado um papel importante na proteção desses componentes ao longo de bilhões de anos.
O estudo, liderado por Mehmet Yesiltas, da Universidade Stony Brook, nos Estados Unidos, baseou-se em amostras trazidas à Terra pela missão OSIRIS-REx, da NASA, em setembro de 2023. A análise utilizou uma técnica de mapeamento com resolução de 20 nanômetros – uma precisão 50 vezes superior aos métodos tradicionais – permitindo observar a organização química de uma única partícula de rocha.
A pesquisa revelou que o interior do Bennu não é uma mistura uniforme, mas sim um “mosaico microscópico”. Em vez de uma alteração homogênea causada pela água, o corpo celeste apresenta regiões quimicamente distintas convivendo em escalas nanométricas.
De acordo com o levantamento publicado no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), a partícula analisada (identificada como OREX-800066-3) possui três áreas principais:
Essa diversidade sugere que a água fluiu pelo asteroide por caminhos restritos e localizados, em vez de inundar e alterar toda a sua estrutura de forma igualitária.
A grande surpresa para os cientistas foi a sobrevivência de moléculas orgânicas altamente reativas. Geralmente, a interação com a água e o oxigênio tende a decompor esses materiais. No entanto, no Bennu, a configuração dos minerais parece ter servido como um escudo.
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