
A ideia de um multiverso, entendido como um conjunto hipotético de todos os universos possíveis, é frequentemente discutida na ciência. Mas determinar se ele realmente existe depende, antes de tudo, de como se define o que é “real”.
O astrofísico Zachary Slepian, professor associado de Astronomia na Universidade da Flórida, afirma em seu artigo publicado no The Conversation que uma definição comum de “real” envolve aquilo que pode ser percebido pelos sentidos. No entanto, ele ressalta que esse critério é limitado, já que fenômenos como micro-ondas ou a própria existência dos dinossauros são conhecidos apenas por seus efeitos ou evidências indiretas.
Embora o multiverso não possa ser observado diretamente, Slepian aponta que a discussão pode avançar a partir da busca por evidências indiretas. Nesse contexto, a mecânica quântica — que descreve o comportamento de partículas extremamente pequenas — introduz um elemento central: a imprevisibilidade.
Segundo o pesquisador, na mecânica quântica não é possível determinar com certeza o resultado de um experimento, apenas calcular probabilidades. Ele compara esse cenário a um lançamento de dados: é possível estimar as chances de cada resultado, mas não prever qual número surgirá.
A partir dessa lógica, surge a interpretação dos “muitos mundos”, que propõe que todos os resultados possíveis de um evento realmente acontecem — cada um em um universo distinto. No exemplo do dado, cada face corresponderia a um universo diferente. Ainda assim, Slepian destaca que essa ideia é apenas uma interpretação da mecânica quântica, não uma evidência comprovada da existência do multiverso.
Outro ponto abordado é o papel da Teoria das Cordas na discussão sobre o multiverso. Essa teoria sugere que as partículas fundamentais são compostas por cordas de energia vibrantes e que o Universo pode ter mais dimensões além das três conhecidas.
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