
Pesquisadores identificaram três tipos inéditos de bactérias no estômago de cachalotes-pigmeus (Kogia breviceps). A descoberta, publicada no Journal of Wildlife Diseases, amplia o conhecimento sobre a saúde desses mamíferos marinhos pouco observados.
A descoberta foi feita a partir da análise de amostras coletadas de baleias encalhadas na costa leste da Flórida ao longo de mais de duas décadas. Em seis das nove amostras de estômago examinadas, os cientistas encontraram bactérias em formato espiral associadas a áreas com inflamação e lesões no tecido.
O estudo, conduzido pelo Instituto Oceanográfico Harbor Branch, da Universidade Atlântica da Flórida (FAU), utilizou material arquivado para identificar três assinaturas genéticas distintas. A partir desses dados, a equipe classificou os microrganismos em três novos genótipos, batizados de Kogia Helicobacter 1, 2 e 3 – nenhum deles correspondente a espécies já descritas.
Dois desses grupos apresentaram semelhanças com bactérias encontradas em outras baleias, enquanto o terceiro revelou características mais distantes, sugerindo uma diversidade maior do que se imaginava entre microrganismos que habitam o sistema digestivo desses animais.
A presença das bactérias coincidiu com sinais recorrentes de problemas gástricos, como úlceras, cicatrizes e infecções parasitárias. “Todas as quatro baleias que testaram positivo para Helicobacter apresentavam patologia gástrica visível”, afirmou Annie Page, veterinária e pesquisadora envolvida no estudo. Em um dos casos, duas variantes bacterianas foram encontradas no mesmo tecido, o que pode indicar infecções simultâneas com potencial de agravar os danos.
Apesar disso, os cientistas não estabeleceram uma relação direta entre as bactérias e a morte dos animais. Ainda não está claro se os microrganismos contribuem para o surgimento das lesões ou se apenas colonizam áreas já comprometidas.
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