
Pesquisadores identificaram evidências de que neandertais que viveram na atual França produziram ferramentas a partir de ossos de animais, incluindo rinocerontes e cavalos, entre cerca de 160 mil e 200 mil anos atrás. A descoberta reforça a ideia de que esses hominídeos possuíam habilidades cognitivas e técnicas mais complexas do que se acreditava anteriormente.
Os vestígios foram encontrados no abrigo rochoso conhecido como Abri Suard, um sítio pré-histórico que se soma a outros locais onde já foram identificadas ferramentas de ossos associadas a neandertais. Em estudos anteriores, por exemplo, arqueólogos relataram a descoberta de um tipo de “canivete suíço” feito a partir de ossos de leões-das-cavernas na Bélgica.
No caso do Abri Suard, no entanto, os pesquisadores identificaram um conjunto distinto de tecnologias ósseas, o que evidencia a diversidade das ferramentas produzidas por esses grupos. Segundo os arqueólogos, foram catalogados ao menos 62 “retocadores” e três “martelos macios”.
Esses instrumentos eram utilizados na produção de ferramentas de pedra. Os retocadores serviam para refinar e afiar as bordas de instrumentos de corte líticos, enquanto os martelos macios eram empregados para extrair lascas de núcleos de sílex.
A maior parte dessas peças foi confeccionada a partir de ossos longos de cavalos e renas. Ainda assim, alguns exemplares se destacam por sua raridade. Entre eles estão martelos macios feitos de ossos de rinoceronte, considerados quase inexistentes em contextos paleolíticos europeus, e um retocador produzido a partir de um molar de cavalo, que pode representar o exemplo mais antigo conhecido desse tipo de ferramenta.
De forma geral, os pesquisadores afirmam que as descobertas apontam para uma exploração “intensiva, diversificada e tecnicamente adaptada dos recursos faunísticos disponíveis” por parte dos neandertais que ocuparam o Abri Suard.
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