Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 13 de abril de 2026 · 2 min de leitura ·

Cientistas mostram que enzimas podem “escrever” DNA do zero

Cientistas mostram que enzimas podem “escrever” DNA do zero

Pesquisadores da Universidade de Bristol, no Reino Unido, demonstraram que enzimas responsáveis por copiar o DNA também conseguem criar sequências genéticas inteiramente novas sem molde. O estudo, publicado na revista Nature Communications, descreve esse processo, conhecido como doodling, e mostra que ele pode ser controlado experimentalmente, abrindo caminho para novas formas de sintetizar DNA.

A descoberta foi conduzida por uma equipe multidisciplinar e analisou milhares de moléculas produzidas por essas enzimas. Os resultados indicam que, ao contrário do que se pensava, o DNA gerado sem molde não é apenas aleatório, mas segue padrões estruturados e previsíveis, dependendo das condições da reação e do tipo de enzima utilizada.

Em condições normais, as DNA polimerases atuam como “copiadoras”, replicando sequências existentes. No entanto, o estudo confirma que essas enzimas também conseguem iniciar a síntese sem qualquer fita de referência, produzindo cadeias inéditas.

Essa capacidade já havia sido observada desde a década de 1960, mas era tratada como uma curiosidade. Agora, os pesquisadores conseguiram demonstrar que o processo segue regras claras. Ao analisar milhares de sequências, a equipe identificou padrões repetitivos, que variam de repetições simples a estruturas mais complexas.

Segundo o artigo, fatores como temperatura e composição química do ambiente influenciam diretamente quais “letras” do DNA são adicionadas. Esse comportamento cria um mecanismo de retroalimentação: os primeiros padrões formados tendem a se repetir ao longo da cadeia.

Um dos principais resultados do estudo é a capacidade de gerar sequências muito mais longas do que as obtidas por métodos tradicionais. Técnicas químicas atuais enfrentam limitações e costumam produzir cadeias com poucas centenas de unidades.

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