
O Oceano Atlântico possui um sistema complexo de correntes conhecido como Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico (AMOC, na sigla em inglês), que inclui a famosa Corrente do Golfo, responsável por temperaturas mais amenas no norte da Europa.
No último século, entretanto, a AMOC tem se enfraquecido, e uma nova pesquisa publicada pela Communications Earth & Environment revela quão graves podem ser as consequências para o clima do planeta caso haja um colapso completo.
A AMOC está entre as correntes oceânicas profundas movidas pela salinidade e temperatura do mar. A crise climática em curso tem levado ao derretimento de geleiras ao redor do mundo, redução do gelo polar e aumento das temperaturas oceânicas, fatores que afetam a AMOC, que se enfraqueceu no último século.
“Concentrações mais altas de CO₂ alteram fundamentalmente a estabilidade da AMOC, empurrando o sistema para um regime biestável onde a AMOC poderia enfraquecer ao longo de centenas de anos antes de mudar para, e permanecer em, um estado colapsado. Uma vez desligada, vemos que ela não se recupera no longo prazo”, disse o autor principal Da Nian, do Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático (PIK, na sigla em inglês), em comunicado.
As mudanças na AMOC teriam efeitos globais, como já foi reportado no passado. Este estudo sozinho previu um aumento de temperatura entre 0,17 °C e 0,27 °C, caso a AMOC deixasse de agir, além do aquecimento que já ocorre devido à ação humana.
“Esta mudança nas temperaturas é causada por uma grande liberação de carbono do Oceano Austral, devido à mistura intensificada que traz águas profundas ricas em carbono para a superfície”, explicou o coautor Matteo Willeit, do PIK, ao IFLScience.
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