
A luz mais antiga que conseguimos observar no universo provém do fundo cósmico de micro-ondas, emitida quando o cosmos tinha apenas 300 mil anos de existência, há aproximadamente 13,8 bilhões de anos. Esta radiação representa o primeiro momento em que o universo se tornou transparente, permitindo que os fótons escapassem livremente pelo espaço.
Matthew Middleton, astrônomo da Universidade de Southampton (Inglaterra), explica à BBC que, durante os primeiros 300 mil anos após o Big Bang, o universo era um plasma extremamente quente, no qual os fótons não conseguiam viajar livremente, pois colidiam constantemente com partículas carregadas. Quando o cosmos se expandiu e resfriou suficientemente, prótons e elétrons se combinaram para formar átomos de hidrogênio, liberando os fótons em um evento chamado “recombinação“.
Esta radiação cósmica de fundo viajou até nós desde então e pode ser detectada em qualquer direção do céu. Middleton destaca que ela é “a impressão digital da criação” e nos fornece informações cruciais sobre como o universo desenvolveu sua estrutura atual. Curiosamente, parte da estática dos antigos televisores analógicos era composta por essa mesma radiação primordial.
O fundo cósmico de micro-ondas marca o momento em que “o universo se tornou transparente pela primeira vez”, segundo o astrônomo, criando um marco temporal em que uma grande quantidade de energia foi liberada e agora permeia todo o cosmos.
A estrela HD 140283, conhecida como “Estrela de Matusalém“, é considerada uma das estrelas mais antigas que pode ser medida de forma confiável. Localizada a cerca de 190 anos-luz de distância, ela faz parte das primeiras gerações de estrelas formadas após o Big Bang. Contudo, do ponto de vista cosmológico, sua luz não é particularmente antiga, tendo sido emitida há apenas 190 anos.
Sobre a durabilidade da luz, Middleton explica que os fótons são complexos, mas seguem a primeira lei da termodinâmica: a energia se conserva em qualquer sistema fechado. “A energia não desaparece, só muda de forma“, afirma o astrônomo. “Um fóton é uma forma de energia e essa energia sempre existirá de alguma forma.”
Entre para comentar.