
Um artigo publicado nesta quarta-feira (29) na revista PLOS One apresenta uma ferramenta online que permite explorar como diferentes pontos da Terra mudaram de posição ao longo da história. Atualizado recentemente, o sistema, chamado Paleolatitude, agora consegue reconstruir a localização de qualquer lugar do planeta – até mesmo a sua casa! – nos últimos 320 milhões de anos.
Embora seja baseada em ciência complexa, a ferramenta é bem simples de usar. Ao acessar este link, o usuário pode selecionar uma cidade ou região atual e descobrir em qual latitude ela estava em diferentes períodos da história geológica. Isso ajuda a visualizar como os continentes se moveram lentamente até formar o mapa que conhecemos hoje.
O projeto Paleolatitude foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Utrecht, na Holanda, com o objetivo de aproximar áreas como paleobiologia e paleoclimatologia. Essas áreas estudam, respectivamente, formas de vida antigas e climas do passado da Terra. Para isso, é essencial saber onde cada rocha ou fóssil estava localizado quando se formou.
A base da ferramenta está no estudo do magnetismo registrado nas rochas. Minerais presentes nelas conseguem “guardar” a direção do campo magnético da Terra no momento em que foram formados. Como esse campo varia conforme a latitude, os cientistas conseguem estimar a posição original dessas rochas no planeta.
Na nova versão do modelo, os pesquisadores incluíram dados mais detalhados sobre o movimento das placas tectônicas, incluindo pequenas placas e até blocos continentais que desapareceram ao longo do tempo. Alguns desses fragmentos foram incorporados a cadeias de montanhas na Europa e na Ásia, após milhões de anos de deslocamento e colisões geológicas.
Entre os exemplos citados estão a Argolândia, que se separou da região da Austrália Ocidental há cerca de 155 milhões de anos e hoje está sob partes da Indonésia, e a Grande Adriática, que se desprendeu do norte da África há mais de 200 milhões de anos. Esses antigos continentes foram “engolidos” pela crosta terrestre e fazem parte de estruturas geológicas atuais.
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