Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 4 de maio de 2026 · 2 min de leitura ·

O pequeno gigante do sistema solar: asteroide de 500 km desafia física e exibe atmosfera

O pequeno gigante do sistema solar: asteroide de 500 km desafia física e exibe atmosfera

Nas profundezas geladas do sistema solar, além da órbita de Netuno, milhares de pequenos mundos congelados vagam quase no escuro. Chamados de objetos transnetunianos (TNOs), a maioria deles é pequena demais e fria demais para reter qualquer tipo de atmosfera. Mas a natureza adora quebrar regras.

Uma equipe de astrônomos japoneses — profissionais e amadores — acaba de encontrar evidências de uma atmosfera tênue ao redor de um desses objetos, o (612533) 2002 XV 93, que tem aproximadamente 500 quilômetros de diâmetro. Para comparação, Plutão, o TNO mais famoso, tem 2.377 km e também possui uma atmosfera. Mas 2002 XV 93 é tão pequeno que, em teoria, sua gravidade não seria suficiente para segurar gases. A descoberta foi publicada na revista Nature Astronomy.

Em 10 de janeiro de 2024, a órbita de 2002 XV 93 fez com que ele passasse exatamente na frente de uma estrela distante — um evento chamado ocultação estelar. Astrônomos do Observatório Astronômico de Ishigakijima (NAOJ) e de outros locais no Japão apontaram seus telescópios para observar o fenômeno.

O que acontece com a luz da estrela nesse momento revela o segredo. Se o objeto não tiver atmosfera, a luz desaparece abruptamente quando a estrela se esconde atrás da superfície sólida. Se houver uma camada de gás, a luz vai escurecendo gradualmente, porque o gás absorve parte dela antes do bloqueio total.

Foi exatamente isso que os japoneses observaram: um escurecimento progressivo, não um corte instantâneo. A estrela foi atenuada pelo que só pode ser uma atmosfera ao redor de 2002 XV 93.

O problema é que, segundo os cálculos da equipe, essa atmosfera não deveria existir. O objeto é pequeno, tem baixa gravidade e está em uma região extremamente fria. Qualquer gás que se forme na superfície deveria se dissipar em menos de 1.000 anos — um piscar de olhos em termos astronômicos.

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