Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 6 de maio de 2026 · 2 min de leitura ·

Conheça o lago africano que “transforma” animais em pedra

Conheça o lago africano que “transforma” animais em pedra

Imagens de aves e morcegos aparentemente petrificados às margens do Lago Natron, na Tanzânia, viralizaram na internet em 2013 e alimentaram teorias sobre um suposto lago capaz de transformar animais em pedra. As fotografias, registradas pelo fotógrafo Nick Brandt e publicadas na Smithsonian Magazine, mostravam corpos rígidos em poses quase naturais diante das águas avermelhadas do local.

Apesar da aparência incomum, os animais não foram petrificados de forma instantânea. O fenômeno está relacionado às características extremas do lago, que possui águas muito quentes, altamente alcalinas e ricas em sais minerais. Segundo especialistas e relatos citados pelo próprio Brandt, os corpos acabam passando por um processo de desidratação e calcificação ao longo do tempo.

O Lago Natron está localizado em uma região árida da Tanzânia e possui características consideradas incomuns. Suas águas podem atingir até 60 °C, temperatura semelhante à de uma xícara de café quente. Além disso, o lago apresenta níveis extremamente altos de alcalinidade, chegando a um pH de até 12, comparável ao de produtos cáusticos domésticos.

A composição química do lago está ligada à intensa atividade vulcânica da região. Segundo o Earth Observatory, da NASA, vulcões próximos, como o Ol Doinyo Lengai, liberam misturas de carbonato de sódio e carbonato de cálcio. Esses compostos chegam ao lago por meio de fontes termais e ajudam a criar o ambiente hipersalino e alcalino.

Outro fator importante é a pouca profundidade do lago, que raramente ultrapassa três metros. Sob o calor equatorial, a evaporação supera frequentemente as chuvas, concentrando ainda mais os sais minerais presentes na água.

As águas avermelhadas do lago são resultado da presença de micro-organismos conhecidos como haloarchaea, adaptados a ambientes extremamente salgados. Eles também ajudam a atrair algumas espécies, especialmente o flamingo-anão, que utiliza a região como principal área regular de reprodução no leste da África.

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