Estamos criando um cinturão de lixo ao redor da Terra?

Recentemente, o pedaço de um foguete da SpaceX colidiu com a Lua, criando uma nova cratera no satélite natural terrestre. E essa não foi a primeira vez que algo do tipo aconteceu.
Estimativas apontam que aproximadamente 3 mil equipamentos produzidos por humanos estão na superfície lunar, somando cerca de 209 toneladas de lixo espacial. Além de fragmentos de missões fracassadas ou detritos que chegaram ao satélite natural, a Lua também abriga 96 sacos de fezes, urina e vômito, deixados por astronautas da NASA das missões Apollo.
E o problema com o lixo espacial está mais perto do que parece. A Agência Espacial Europeia (ESA – sigla em inglês) apontou em julho deste ano que cerca de 47 mil objetos espaciais estão orbitando a Terra. Entre eles estão satélites, peças descartadas e fragmentos de explosões e colisões. A estimativa da ESA é que esses objetos somam aproximadamente 17 mil toneladas.
Com esses dados, a grande questão que fica é: como isso pode afetar a vida na Terra?
Para quem tem pressa:
- Cerca de 3 mil equipamentos produzidos por humanos já estão na superfície da Lua, somando aproximadamente 209 toneladas de materiais, incluindo dejetos deixados nas missões Apollo;
- Na órbita da Terra, o excesso de detritos pode aumentar o risco de colisões em cadeia. Esse cenário é conhecido como Síndrome de Kessler e poderia dificultar o uso de algumas regiões orbitais;
- Um estudo estima que esse processo poderia se tornar significativo entre 2040 e 2184, enquanto pesquisadores e missões buscam formas de retirar ou reduzir os detritos espaciais.
Síndrome de Kessler e o lixo espacial

Você se lembra de “WALL-E”(2008)? A animação distópica da Disney mostra um futuro onde a Terra está inabitada e os seres humanos vagam pelo universo em uma nave espacial. Além do lixo no planeta, o filme também representa um cinturão de objetos espaciais orbitando a Terra.
A Síndrome de Kessler explora mais ou menos essa ideia do “cinturão de lixo espacial”, mas com um foco maior nas colisões que poderiam acontecer na órbita da Terra. A premissa da teoria é simples: quanto mais “trânsito” espacial, maiores as chances de colisão.
Consolidada em 1978 por Donald Kessler e Burton Cour-Palais, a Síndrome de Kessler aponta que quanto mais objetos espaciais na órbita, maiores as chances de colisão e quanto mais colisões, mais fragmentos orbitam a Terra.
Isso é significativo, pois essa grande presença de lixo espacial poderia gerar uma cadeia de encontros entre fragmentos e satélites que criariam uma enorme “barreira” em volta da Terra, impossibilitando a utilização da órbita terrestre por décadas e até mesmo séculos.
Altitudes e as divisões das órbitas terrestres
A órbita terrestre segue algumas delimitações que consideram o aumento da altitude. E a mais significativa delas é a chamada órbita baixa terrestre:
- Órbita baixa terrestre: delimitada por um limite de altitude de aproximadamente 2 mil km. É nela que estão as estações espaciais, satélites de internet e a imensa rede Starlink. Essa faixa da órbita é a mais congestionada.
- Órbita Média da Terra: faixa que chega até 20 mil km de altitude. Nela estão satélites de GPS e navegação.
- Órbita Geoestacionária: alcançando 35.786 km de altitude, abriga satélites de comunicação, como de televisão e outros de internet, além de objetos de monitoramento meteorológico.
- Órbita Alta da Terra: acima dos 35.786 km. Abriga satélites de coleta de dados para estudos.

Considerando um nível de densidade que impossibilite atravessar algumas dessas órbitas, seria impossível manter a segurança de satélites vitais para a vida humana, além da interrupção de missões para exploração espacial.
E é aí que entraria a Síndrome de Kessler. À medida que algumas órbitas estiverem completamente carregadas, mais colisões aconteceriam e o “cinturão espacial” se formaria ao redor da Terra.
Pesquisadores apontam ainda que levariam milhares de anos para que esses fragmentos deixassem a nossa órbita naturalmente e fossem para o espaço aberto.
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