Dono da Itapemirim é acusado de golpe com venda de criptomoeda cryptour

A crise que afeta o Grupo Itapemirim desde sexta-feira (17), quando a empresa suspendeu as atividades de sua companhia de aviação, a ITA Linhas Aéreas, acabou de piorar. A companhia está sendo acusada por uma série de investidores de usar uma criptomoeda para aplicar golpe em esquema de pirâmide. Segundo as vítimas, Sidnei Piva de Jesus, presidente da Itapemirim, promoveu o token cryptour, lançado em julho pelo grupo de logística e transporte, mas não devolveu os R$ 400 mil investidos na moeda digital.
Ao lado da Itapemirim, os investidores acusam as empresas Extrading Exchange & Trading Platform e Future Design Solutions (FDS) de não devolverem o dinheiro depositado na cryptour. Eles também reclamam que perderam acesso ao site da exchange para pedir o resgate do investimento, ou saber qual foi o destino dos valores.
Em uma apresentação de negócios da cryptour obtida pelo site Congresso em Foco, a moeda digital aparece como um projeto do Grupo Itapemirim para atrair tanto a comunidade de criptoativos quanto o mercado de turistas. Seria possível trocar milhas pelos tokens da ITA Linhas Aéreas, cuja vantagem seria o fato de que eles não expiram. A companhia aérea também aceitaria os ativos digitais como uma forma de pagar por passagens.
O Grupo Itapemirim estimava emitir 30 milhões de tokens da cryptour, com valor de US$ 1 por moeda. Ou seja, o grupo empresarial esperava assim a prospecção de US$ 30 milhões, sendo que a cada 30 dias seriam disponibilizados ao mercado um lote com 1 milhão de tokens. Para cada compra de um ativo digital, era prometido o retorno de 600% nos primeiros seis meses, o que se multiplicaria por seis em um ano — uma valorização de 3.600%. O programa ainda previa um bônus de 21% a cada três indicações feitas, quando o investidor convencia amigos ou parentes a depositarem valores no negócio, como uma pirâmide.
Com a cryptour, o grupo Itapemirim esperava uma arrecadação a médio prazo de US$ 1 bilhão. Para atingir o valor, era esperado que pelo menos 2% de adesão do mercado de turismo. Mais tarde, a companhia esperava listar a CTOUR — cryptour — na Binance, principal bolsa de criptoativos do mundo.

Apesar da apresentação conter indícios de ligação entre o Grupo Itapemirim e a cryptour, Sidnei Piva nega os laços da própria empresa com a moeda digital. O presidente do Grupo Itapemirim também nega uma relação entre a companhia e as empresas Extrading Exchange & Trading Platform e a Future Design Solutions (FDS). Mesmo assim, o site oficial da cryptour está sob propriedade da FDS, de acordo com o buscador de registro de domínios Whois.
Fonte: Tecnoblog
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