Saraiva pede recuperação judicial após dívidas de R$ 675 milhões

A forte crise financeira enfrentada pela livraria Saraiva fez a companhia pedir recuperação judicial nesta sexta-feira (23), em plena realização da Black Friday. O pedido foi feito quase um mês depois de a rede fechar 20 de suas lojas, incluindo todas as oito unidades da iTown, que revendia produtos da Apple.
Faz algum tempo que o setor de livrarias no Brasil passa por instabilidades, mas a situação delicada da Saraiva só ficou clara no início do ano, quando a companhia atrasou pagamentos a fornecedores, em especial, editoras de livros.
No pedido de recuperação enviado à 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, a Saraiva Livreiros Editores declara ter dívidas que somam R$ 675 milhões. Se o poder judiciário concordar com o pedido, a empresa deverá executar um plano de recuperação para evitar a falência.
A Saraiva afirma que, com auxílio da consultoria Galeazzi & Associados, já vem tentando reestruturar as suas operações. O fechamento das 20 lojas faz parte dessa estratégia, processo que acabou resultando na demissão de cerca de 700 funcionários.
Também faz parte do plano a recente decisão da Saraiva de abandonar os segmentos do mercado que são menos rentáveis em suas operações. É o caso dos produtos de tecnologia: nessa categoria, a empresa enfrenta forte concorrência de grupos como B2W (inclui Submarino e Americanas) e Via Varejo (Casas Bahia, Pontofrio).
No início do mês, a Saraiva propôs uma espécie de acordo de recuperação extrajudicial ao Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) para converter 45% das dívidas com as editoras em ações e debêntures, e quitar o restante em 120 parcelas. Mas a entidade recusou a oferta por entender que o plano levaria muito tempo para ser executado e poderia dificultar as operações da Saraiva pelos próximos meses.
Fonte: Tecnoblog
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