ChatGPT terapeuta? CEO alerta que não há sigilo legal em conversas íntimas

Milhões de pessoas, especialmente jovens, têm usado o ChatGPT como uma espécie de terapeuta ou coach para desabafar sobre problemas íntimos. Se você está entre eles, Sam Altman, CEO da OpenAI, avisa: a indústria de IA não garante o sigilo.
Segundo Altman, a legislação atual sobre IA não tem o mesmo cuidado legal para proteger informações sensíveis, ao contrário do que ocorre com médicos, psicólogos ou advogados. Isso significa que a Justiça pode obrigar a OpenAI a entregar o histórico das conversas de qualquer pessoa com o bot.
O CEO fez o alerta no podcast This Past Weekend with Theo Von. “As pessoas contam as coisas mais pessoais de suas vidas para o ChatGPT”, disse Altman. Ele afirma que a indústria ainda não resolveu a questão da confidencialidade quando o usuário fala sobre esses assuntos com o chatbot.
A falta de clareza legal, segundo o executivo, é um impeditivo para uma adoção mais ampla e segura da tecnologia. “Acho que deveríamos ter o mesmo conceito de privacidade para suas conversas com a IA que temos com um terapeuta”, defendeu. O assunto é tema do Tecnocast 382 — O ChatGPT está te deixando mais preguiçoso?
No Brasil, o fenômeno descrito por Altman já é uma realidade. Uma estimativa da agência de comportamento Talk Inc., divulgada pelo UOL, revela que mais de 12 milhões de brasileiros utilizam ferramentas de IA para fazer terapia, dos quais cerca de 6 milhões recorrem especificamente ao ChatGPT como forma de apoio emocional.
O apelo, segundo especialistas, está na disponibilidade e no suposto anonimato, que pode reduzir o estigma de buscar ajuda para certos problemas. Além disso, pessoas em cargos altos na indústria já endossaram o comportamento: recentemente, um executivo da Microsoft sugeriu o uso do Copilot, chatbot da empresa, para ajudar funcionários a lidarem com a “carga emocional” de demissões em massa.
Fonte: Tecnoblog
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