Julia Monteiro
Julia Monteiro
Inteligencia Artificial · há 3 horas · 2 min de leitura ·

Corrida da IA pode consumir trilhões antes de entregar retorno esperado

Corrida da IA pode consumir trilhões antes de entregar retorno esperado

O que você precisa saber

Nunca houve tanto dinheiro direcionado a uma nova tecnologia quanto está sendo investido atualmente em inteligência artificial (IA). A escala dos aportes já supera os valores aplicados em revoluções tecnológicas anteriores, como as ferrovias e a internet — e começa a levantar dúvidas sobre quanto tempo será necessário para que os investimentos gerem retorno.

Segundo uma projeção da PwC citada pela Reuters, os gastos globais acumulados com data centers podem ultrapassar US$ 30 trilhões (cerca de R$ 159 trilhões) até 2050. O valor se aproxima do estoque de títulos do Tesouro dos Estados Unidos e, segundo a consultoria, supera os investimentos realizados durante os ciclos de expansão das ferrovias e das empresas pontocom, mesmo após o ajuste pela inflação.

A Anthropic, uma das empresas no centro dessa corrida, planeja gastar US$ 518 bilhões (cerca de R$ 2,75 trilhões) nos próximos anos, de acordo com seu prospecto de oferta pública de ações analisado pela Reuters. O valor equivale a mais de 100 vezes a receita registrada pela empresa em 2025.

Os defensores desses investimentos apostam que a IA terá um impacto econômico maior do que transformações provocadas pela máquina a vapor e pela industrialização.

O problema é que, por enquanto, grande parte dessa aposta depende de ganhos de produtividade e lucros futuros, para os quais ainda há poucas evidências concretas — e pouco precedente histórico capaz de garantir que os resultados aparecerão no ritmo necessário.

O JPMorgan afirmou em agosto que os ganhos de produtividade de alcance amplo nos Estados Unidos, país que lidera a corrida pela IA, “continuam difíceis de encontrar”, levantando dúvidas sobre a sustentabilidade das avaliações das empresas do setor.

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