Trabalhadores de apps têm jornadas mais longas e recebem menos, aponta IBGE

Trabalhadores por aplicativo têm jornadas semanais mais longas que profissionais não plataformizados no Brasil, com um rendimento por hora trabalhada até 8,3% menor. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (17/10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e levam em conta o ano de 2024.
A pesquisa também revela que o número de trabalhadores nessa modalidade cresceu no país: de 1,3 milhão para 1,7 milhão no último ano, um aumento de 25,4% em apenas dois anos. São mais de 335 mil novos trabalhadores nas plataformas digitais.
Em termos comparativos, o contingente dos chamados “plataformizados” já supera a população de capitais como Recife (1,6 milhão) e Porto Alegre (1,4 milhão), e representa 1,9% do total de 88,5 milhões de pessoas ocupadas no setor privado.
O levantamento considera no montante o transporte particular de passageiros (exceto táxi), entrega de produtos e prestação de serviços gerais via app. A maior parte, 878 mil, atuava no transporte de passageiros em 2024 — um aumento de 29,2% somente nessa categoria.

O rendimento mensal médio dos trabalhadores de aplicativos foi de R$ 2.996, valor 4,2% superior aos R$ 2.875 recebidos, em média, por profissionais não plataformizados. De acordo com o analista do IBGE Gustavo Geaquinto, rendas um pouco mais altas e a proposta de flexibilizar os horários incentivam a adesão a esse modelo de trabalho.
Contudo, para alcançar esses valores, a jornada semanal dos trabalhadores de aplicativos foi de 44,8 horas — 5,5 horas a mais que as 39,3 horas semanais cumpridas pelos demais. Na prática, essa diferença na carga horária resulta em um rendimento por hora trabalhada inferior: a média foi de R$ 15,40 por hora, ante os R$ 16,80 por hora recebidos pelos não plataformizados.
Fonte: Tecnoblog
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