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Cinema · · 3 min de leitura ·

Diário de Cannes: filme romeno divide opiniões

Diário de Cannes: filme romeno divide opiniões




Diretor Cristian Mungiu já ganhou a Palma de Ouro, por "4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias".

Em 2007, o diretor Cristian Mungiu colocou o cinema romeno nos holofotes graças à Palma de Ouro ganha no Festival de Cannes por 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias. Cinco anos depois, ele retorna à Croisette com seu novo filme, Beyond the Hills, com o qual mais uma vez disputa o prêmio máximo do festival. A reação da imprensa ao filme tem sido dividida.

Enquanto parte dela enche de elogios o longa-metragem, considerando-o até mesmo o melhor da mostra competitiva até o momento, outra não se furtou a vaiá-lo logo após o término de sua exibição, ontem à tarde. Foi a primeira vez que um filme na disputa pela Palma de Ouro foi vaiado nesta edição do Festival de Cannes.

Situado em um monastério romeno, Beyond the Hills traz a história das amigas Alina (Cristina Flutur) e Voichita (Cosmina Stratan). Criadas em um orfanato e com insinuações de um passado que foi além da mera amizade, elas se separaram devido à escolha de Voichita em dedicar sua vida à religião. Alina enfim consegue encontrá-la e parte para o monastério, disposta a fazê-la mudar de ideia. Sem obter sucesso, ela passa a ser aconselhada por Voichita para que entre também para a igreja. Só que Alina não consegue renunciar à raiva e à fúria.

Beyond the Hills é mais um filme que segue um curioso padrão do Festival de Cannes deste ano: o uso de situações extremas de forma a denunciá-las, sem ser necessário apontar um culpado. Tal papel cabe ao espectador, ao assistir e julgar quem ou se há alguém com a razão. O mesmo procedimento já foi utilizado em Paradise: Love (preconceito racial e econômico) e Reality (fascínio pela TV). Aqui o alvo em questão é a religião aplicada de forma mais ortodoxa, com restrições e exigências ultrapassadas e exageradas.

Situado quase inteiramente todo dentro do monastério, Beyond the Hills segue o ritmo próprio da instituição para contar sua história. Ou seja, segue em ritmo lento para narrar a chegada de Alina, seus esforços para convencer Voichita e todo o processo pelo qual passa a se rebelar, cada vez mais, com a situação. Todo este processo é bem conduzido por Cristian Mungiu, que demonstra pleno controle da narrativa. Destaque para as cenas de pura tensão no decorrer da trama, apresentadas com muita câmera na mão e de forma crua, similar ao que acontece em 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias.

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