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Cinema · · 2 min de leitura ·

Diário de Cannes: a forma dura e realista do amor, por Michael Haneke

Diário de Cannes: a forma dura e realista do amor, por Michael Haneke




Diretor de "A Fita Branca", ganhador da Palma de Ouro em 2009, volta ao festival com um filme sobre o amor na terceira idade.

Não é fácil ver os filmes dirigidos por Michael Haneke. Quem já assistiu Violência Gratuita, A Professora de Piano ou Caché sabe bem disto. Conhecido pela violência e a crueza em seus filmes, o diretor surpreendeu quando anunciou que faria um longa sobre o amor. O resultado foi exibido hoje pela manhã para a imprensa mundial, que o saudou com aplausos.

Michael Haneke (esquerda), Emmanuelle Riva e Jean-Louis Trintignant nos sets de filmagens

Amour deixa de lado qualquer romantismo idealizado ao trazer a história de um casal de terceira idade, Georges e Anne, interpretados pelos octagenários Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva. Vivendo sozinhos, eles enfrentam dificuldades após Anne ter sérios problemas de saúde. Seu corpo fica cada vez mais debilitado, exigindo maiores cuidados e dedicação do esposo. Em meio a tanto sofrimento, surge a pergunta: vale a pena viver desta forma?

A mensagem de Amour é simples e clara: para o diretor, é na adversidade que surge a grande prova de amor. Desta forma o percurso do casal é mostrado em detalhes, a cada piora apresentada, com o máximo de realismo possível. A força do sentimento existente entre eles não está em lágrimas rolando ou declarações saudosistas, mas no compromisso cotidiano de tornar a vida do outro melhor, na medida do possível.

Na coletiva realizada logo após a exibição, Michael Haneke declarou estar contente por ter feito um filme simples. "Quando chegamos a uma certa idade, forçosamente o sofrimento acaba nos tocando. Não queria mostrar nada de mais porque não há nada de mais. Não queria rodar em um quarto de hospital, algo já visto várias vezes, por isso preferi filmar em um apartamento", declarou.

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