Falha incorrigível no Nintendo Switch possibilita pirataria

A engenheira Katherine Temkin divulgou recentemente no GitHub uma falha que permite que o Nintendo Switch seja hackeado e rode outros sistemas além do da Nintendo – abrindo a porta para pirataria no console. A falha em questão é inerente ao processador Nvidia Tegra X1 do Switch, o que significa que ela não pode ser corrigida por meio de atualizações de software.
Por ora, a falha está sendo chamada de “Fusée Gelée” no fórum ReSwitched. Dentre as possibilidades que ela gera estão a de se instalar outro sistema operacional – como um emulador de Gamecube – no dispositivo da Nintendo. De fato, outra equipe de engenheiros (chamada de “fail0verflow”) já divulgou sua própria versão de como explorar a falha, e lançou até mesmo um instalador de Linux para o Switch.
O “Fusée Gelée”, segundo o “guia” publicado no site de Temkin, se aproveita do modo de recuperação USB do processador Tegra X1. Quando o processador entra nesse modo, é possível causar overflow em um de seus acessos diretos de memória (DMA). Com isso, torna-se possível copiar dados para áreas da memória que anteriormente estavam protegidas contra gravação. Pode-se dizer que o processo permite “rootear” o Switch.
Mas para isso, é preciso colocar o processador nesse modo. Segundo o Ars Technica, para fazer isso sem desmontar o console, é necessário provocar um curto-circuito em um determinado ponto de encaixe do Joy-Con do lado direito. Isso pode ser feito, segundo os pesquisadores que descobriram a falha, usando um pedaço de fio de cobre ou simplesmente expondo e dobrando os contatos. A imagem abaixo, feita pelo fail0verflow, mostra o local:
De acordo com os engenheiros, dados referentes às falhas descobertas por eles foram encaminhados à Nvidia e à Nintendo com “uma janela adequada para que [elas] se comunicassem com seus clientes e tomassem tantas precauções quanto possível”. No entanto, Temkin disse que decidiu tornar a falha pública nesse momento por conta “potencial de coisas ruins serem feitas por terceiros que descobrirem essa falha de maneira intependente.
Por tratar-se de uma falha inerente ao bootROM do processador, não é possível corrigí-la por meio de atualizações de software. Segundo Temkin, o acesso necessário ao software do processador é desativado quando o chip sai da fábrica. A Nintendo, segundo o Ars Technica, já vendeu cerca de 14,8 milhões de unidades do Switch com esse processador (e, portanto, suscetíveis a essa falha).
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