Diário de Brasília: entrevista com Simone Spoladore e Lúcia Murat

Atriz e diretora de A Memória que me Contam falam sobre o longa-metragem e suas carreiras.
A quarta-feira foi marcada pela política no Festival de Brasília. Não pela presença de deputados, ministros ou senadores, mas pelo tema abordado pelos dois longa-metragens exibidos. Após a consagração popular do documentário Kátia, que aborda a vida do primeiro travesti eleito para um cargo público no país, chegou a vez da diretora Lucia Murat e sua equipe apresentarem A Memória que Me Contam. Em pauta estava a aflição de uma geração que lutou contra a ditadura militar, até chegou ao poder mas ainda se sente incomodada em relação aos acontecimentos do passado. Um tema bastante pessoal que chegou a afligir a diretora, que não nega que se sentiu aliviada com a boa recepção do público. "Um trator passou por cima de mim", comentou.
O AdoroCinema conversou com Lúcia Murat e a atriz Simone Spoladore sobre o longa-metragem e suas carreiras. O resultado deste bate-papo você confere logo abaixo.
A Memória que me Contam surge apenas um ano após o filme anterior dirigido por Lúcia Murat, Uma Longa Viagem, ser exibido no Festival de Gramado. Questionada sobre o curto período entre os dois filmes, a diretora explicou como foi o processo de realizá-los. "Na verdade este filme começou muito antes, é que ficção é muito difícil levantar dinheiro. Eu escrevi este roteiro e dei entrada na Ancine em 2008, muito antes de Uma Longa Viagem. No meio do caminho ganhei um edital, então ele caiu de pára-quedas."
Baseado nas memórias pessoais de Lúcia Murat acerca do falecimento da amiga Vera Sílvia Magalhães, o longa-metragem traz muito das angústias da própria diretora, que tem a atriz Irene Ravache como seu alter ego em cena. "A grande vantagem da ficção é que ela te libera para mentir à vontade", comenta a diretora. "O personagem é o que você quiser. No documentário você tem compromisso com os fatos, na ficção não, então pode construir o personagem como achar importante. É evidente que ele é inspirado em mim, como a Ana é inspirada na Vera Sílvia, mas com a liberdade que a ficção te dá."
Lúcia ainda explica um dos melhores diálogos do filme, quando Irene, também diretora na história, comenta sobre o temor do envelhecimento por ter menos tempo para fazer novos filmes. "Aquilo na verdade tirei de um amigo meu, que é um cineasta muito conhecido. Acho que quando você chega em uma certa idade começa uma certa urgência mesmo."
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