Festival do Rio: Rodrigo Santoro e Roland Joffé falam sobre o épico Encontrarás Dragões

O ator e o diretor falaram sobre as origens e as filmagens de Encontrarás Dragões: Segredos da Paixão, uma trama histórica sobre o nascimento da Opus Dei.
Presente em três filmes do Festival do Rio 2012, o ator Rodrigo Santoro conversou com a imprensa sobre seu trabalho em Encontrarás Dragões: Segredos da Paixão. Este filme polêmico, que gerou grande repercussão nos Estados Unidos, relata a história do padre Josemaría Escrivá, um dos principais fundadores da Opus Dei. Santoro e o diretor Roland Joffé conversaram sobre as filmagens e sobre o tema religioso:
Roland Joffé: Eu acho a Guerra Civil Espanhola uma época extraordinária. Eu penso nela como uma semente que gerou um fruto feio, mas incrível. Nós tivemos que lidar com este fruto até o fim da Guerra Fria. Também existe o fato de que esta foi uma guerra fratricida, ela ocorria dentro das próprias famílias. A guerra dentro das famílias toca o público de uma maneira profunda, porque ela é repleta de tabus.
Roland Joffé: Quando me pediram para escrever sobre a vida de Josemaria Escrivá, eu não queria falar sobre os fatos da sua vida, porque isso não seria apropriado. O queria falar sobre o que a vida dele significava. Ele dizia duas coisas que me fascinaram, uma delas era que Deus se encontrava na nossa vida de todos os dias, mesmo no período da guerra. A outra dizia respeito à importância do perdão. Eu queria fazer um filme que convergisse a esta ideia de perdão. O mais importante, na verdade, não é a guerra, mas o que ocorre depois dela. A História reverbera.
O seu maior interesse com essa história era defeder a religião? Qual a sua relação pessoal com o tema?
Roland Joffé: Bom, todas as obras de arte acabam sendo sobre o artista que as criou. Infelizmente, as coisas são assim. Existem muitas críticas ao marxismo, e muitas ao comunismo, mas para mim a crítica mais forte é essa: os seres humanos não são uma ciência, e nem são mecânicos. Qualquer sistema que pretenda “desenvolver uma nova vida” apresenta um problema. Isso é arrogante, é como se disséssemos que compreendemos toda a motivação humana. Não é o caso.
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