Exclusivo: “Bonitinha, mas Ordinária é o primeiro filme com a minha cara”, diz o diretor Moacyr Góes

O diretor de Xuxa Abracadabra e Irmãos de Fé comenta a mudança de rumos em sua carreira e a dificuldade de adaptar uma obra tão polêmica quanto a peça Bonitinha, mas Ordinária.
Bonitinha, mas Ordinária demorou muitos anos para chegar ao cinema. Este projeto de 2008 passou por dificuldades de produção e por problemas legais (quando uma cena de sexo foi divulgada na Internet), mas nesta sexta-feira a adaptação da obra de Nelson Rodrigues enfim chega aos cinemas. O diretor Moacyr Góes conversou francamente com o AdoroCinema sobre esses problemas de produção, sobre os outros filmes de sua carreira – ele é o autor de Irmãos de Fé e vários filmes da Xuxa – e demonstrou grande satisfação com este último projeto, que ele considera "o primeiro filme com a minha cara".
Bonitinha, mas Ordinária traz a história de Edgard (João Miguel), um homem com uma séria decisão amorosa a tomar: por um lado, ele é apaixonado pela batalhadora Ritinha (Leandra Leal), mas recebe uma oferta em dinheiro para se casar Maria Cecília (Letícia Colin), a filha de seu patrão, que busca um matrimônio para ocultar a desonra de ter sido estuprada.
Eu me lembro de quando foi anunciado o início das filmagens de Bonitinha, Mas Ordinária. Na época, você estava muito eufórico, a Letícia tinha acabado de ser escalada. Cinco anos depois o filme foi exibido, diante de um grande público que reagiu bem. Como foi lidar com a indefinição sobre a estreia?
Ontem foi a melhor sensação dos últimos quatro anos, porque o filme foi para a tela de cinema, com o público vendo. Eu sempre esperei por esse dia. Foi bacana, porque a reação do público foi muito positiva. Quando você cria alguma coisa, você cria para o público, para botar na vida, e neste momento ele não tem pertence mais, pertence às pessoas. Cada um vai achar uma coisa, relacionar com as suas próprias experiências. Foi angustiante esperar quatro anos, mas agora foi muito prazeroso. Fica uma sensação de que o filme não envelheceu com quatro anos. Ele está vivo, eu gosto do filme, era o que eu queria fazer. Eu saio com uma sensação positiva e boa de que tenho um filho no mundo.
Algo que chama muita atenção nesse filme é a atualização para os dias atuais, especialmente a curra transportada para um baile funk, que é totalmente carioca. Como você procurou conduzir a atualização do filme?
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