Entrevista exclusiva com Roberto Santucci: “Meu objetivo é trazer qualidade e frescor para as comédias”

Após emplacar três sucessos de bilheteria seguidos, o diretor se prepara para o lançamento de uma nova comédia.
Roberto Santucci é por muitos considerado o atual Midas do cinema brasileiro. Afinal de contas, o diretor emplacou três sucessos em sequência: De Pernas pro Ar (3,5 milhões de espectadores), Até que a Sorte nos Separe (3,4 milhões) e De Pernas pro Ar 2 (4,8 milhões). Prestes a lançar mais uma comédia, Odeio o Dia dos Namorados, Santucci recebeu o AdoroCinema em sua própria casa e concedeu uma longa entrevista. Falou sobre o início da carreira, as dificuldades antes de estourar com De Pernas pro Ar, seu método de trabalho e, principalmente, como funciona o mercado de cinema no Brasil. Confira o resultado deste extenso bate-papo logo abaixo. Boa leitura!
AdoroCinema: Estive em 2000 na pré-estreia do seu primeiro filme, Olé – Um Movie Cabra da Peste, e lembro que você estava muito emocionado em lançá-lo. Treze anos depois, você está prestes a lançar mais um filme, Odeio o Dia dos Namorados, e já tem uma carreira estabelecida. Como foi esta trajetória no cinema?
Roberto Santucci: Foi curiosa, porque não foi gradual. Fiz o Olé e ele logo foi atropelado pelo Bellini e a Esfinge. Olé era um filme que tinha tudo para não dar certo: era falado em inglês, com atores desconhecidos misturados com brasileiros, um elenco totalmente underground e um filme de gênero, algo que não é bem visto no Brasil. Foi um filme feito com muito pouco dinheiro, na raça, e esteve em cartaz apenas por duas semanas no Rio de Janeiro.
Bellini aparentava ser a grande virada, pois era uma grande produção e contava com nomes fortes, como a Malu Mader e o Fábio Assunção. Foi um tremendo esforço e teve pouco dinheiro, apenas R$ 600 mil. Achava que tinha tudo para ser um projeto bacana, mas por não ter um produtor experiente no mercado nem uma distribuidora também poderosa acabou fazendo apenas 60 mil pessoas nos cinemas, infelizmente. Aí minha carreira parou. Comecei a escrever uma série de roteiros em editais, mas sempre tomei bomba. É impressionante pensar que o Brasil produz cerca de 80 filmes por ano e, ao longo de todos estes anos, nunca consegui passar no crivo das comissões especialistas em fazer cinema.
Em 2005 acabei rodando um filme bancado pelo meu próprio bolso, Alucinados, que ganhou uma série de prêmios de público. Apesar de todas as fases difíceis sempre me dei bem com público, pois Bellini ganhou este prêmio no Festival do Rio. Só que, mais uma vez, faltavam conexões. Cinema parece uma equipe de Fórmula 1, precisa ter o carro, o piloto, etc. Tem muita política no meio, precisa de uma série de elementos. Alucinados fez o circuito dos festivais, ganhou prêmios, mas o filme de novo nunca foi lançado.
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