História sobre drag queens com deficiência tem valor universal, diz o diretor Tim Lienhard

O cineasta alemão, autor de One Zero One – The Story of Cybersissy & BayBjane explica a dificuldade de fazer o filme, o interesse nos personagens e ainda dá sua opinião sobre a importância de festivais gays.
Um filme muito interessante selecionado do Rio Festival Gay de Cinema 2013 é o documentário alemão One Zero One – The Story of Cybersissy & Baybjane. Por divergências artísticas entre o cineasta e a organização do festival, o filme não foi projetado nas salas como previsto, mas o diretor Tim Lienhard permitiu ao AdoroCinema assistir ao filme, e conversou sobre a curiosa experiência de trabalhar com dois artistas muito peculiares.
O documentário retrata a trajetória artística de Antoine e Mourad, mais conhecidos como Cybersissy e BayBjane, respectivamente. Antoine tem uma extenso trabalho como pintor, escultor e performer em casas noturnas, mas sofre com constantes crises psicóticas. Já Mourad sofre de nanismo, tem deformidade nos dedos, no quadril e em diversas partes do corpo, além de sofrer com problemas cardíacos e não ter um dos olhos. Os dois decidiram se apresentar juntos, com roupas extravagantes em performances que usam o grotesco como símbolo de orgulho, como escolha estética e artística.
Leia a nossa crítica sobre One Zero One – The Story of Cybersissy & BayBjane, e confira nossa conversa com Tim Lienhard:
Foi doze anos atrás, quando eu estava dançando em uma discoteca em Colônia, na Alemanha. Eu vi essas duas figuras extraordinárias lá dentro, e eu nem sabia se o pequeno era um garoto, ou uma garota… Eu fiquei feliz que uma apresentação dessas acontecesse na minha cidade, que não é uma cidade muito louca. Depois eu os vi novamente, em outras apresentações, sem falar com eles.
Eu só conversei com eles dois anos atrás. Primeiro falei com Antoine, na Holanda. Eu disse que era um jornalista, e que queria fazer uma reportagem sobre ele. Levei minha câmera e filmei uma pequena apresentação, e esse foi o começo. Eu pensava em fazer um vídeo para a televisão, concentrado apenas nele, Antoine (Cybersissy). Mas ninguém na televisão estava interessado nesse tema. Eu cheguei a esquecer dessa ideia, mas depois pensei em fazer algo com Mourad também, um filme de verdade. No início, eles não acreditaram muito na ideia, e Mourad tinha receios, porque ele sempre tinha sido convidado para aparecer na televisão, como um animal de circo. Felizmente, ele viu alguns dos meus documentários e confiou em mim.
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