Gramado 2013: Tatuagem surpreende com retrato teatral gay durante a ditadura

Filme de estreia de Hilton Lacerda como diretor já é um forte candidato aos Kikitos de Ouro.
Hilton Lacerda e equipe apresentam Tatuagem no Palácio dos Festivais @ Edison Vara Press Photo
Gramado levou uma bela chacoalhada no terceiro dia de seu festival de cinema. Tatuagem, o segundo filme da mostra competitiva brasileira a ser exibido, surpreendeu o público ao mostrar de forma ousada o cenário de um grupo teatral que abusa do deboche e de cenas de nudez em seus espetáculos.
O longa-metragem é o primeiro trabalho na direção de Hilton Lacerda, o celebrado roteirista de Febre do Rato, Capitães da Areia e A Festa da Menina Morta. A história gira em torno do relacionamento entre Clécio (Irandhir Santos), o líder da trupe Chão de Estrelas, e o recruta Fininha (Jesuita Barbosa), o que gera um contraste entre o cenário anárquico do grupo e a realidade do país durante o regime militar, além de mostrar a homossexualidade dentro do exército.
Com cenas tórridas de sexo entre os protagonistas, Tatuagem provocou um certo incômodo entre os mais conservadores também devido à insólita e inesquecível "Polka do Cu", canção usada no principal número musical do Chão de Estrelas. Na coletiva do filme realizada na manhã de hoje, o diretor assistente Marcelo Caetano ressaltou que o filme na verdade gira em torno do afeto.
"A gente precisa colocar a questão homossexual no lugar do afeto. Esta questão da provocação é pobre. A gente revela o conservadorismo quando espera o choque. Este filme transborda afeto, não vejo em momento algum deste processo a tentativa de colocar cenas de sexo para chocar. Aquilo é datado, é daquela época. O que Hilton faz é tirar isto da confrontação e colocar no lugar do afeto, do grupo, da amizade e do amor."
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