Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 20 de novembro de 2025 · 2 min de leitura ·

A dança cósmica do caos: Webb desvenda espirais de estrelas condenadas

A dança cósmica do caos: Webb desvenda espirais de estrelas condenadas

Uma nova imagem do Telescópio Espacial James Webb (JWST) da NASA capturou um espetáculo cósmico raro: uma série de estruturas em espiral, como um embrião celeste gigante, girando em torno de um poderoso sistema estelar triplo. Apelidado de “Apep”, em referência ao deus egípcio do caos, o sistema é composto por estrelas de vida curta e extremas, destinadas a terminar suas vidas em explosões cataclísmicas.

O que torna o Apep verdadeiramente único são dois de seus membros: um par de estrelas Wolf-Rayet. Esses astros são raros, massivos e incrivelmente quentes, conhecidos por sua instabilidade e por lançarem ao espaço ventos estelares de partículas carregadas a velocidades tremendas. Estima-se que existam apenas cerca de 1.000 dessas estrelas em toda a nossa galáxia, que abriga mais de 100 bilhões de estrelas.

A raridade não para por aí. Embora estrelas Wolf-Rayet possam ter companheiras, formando nebulosas ao seu redor, o Apep é o único sistema conhecido onde duas delas orbitam uma à outra. A cada 190 anos, elas completam essa dança cósmica. Quando se aproximam, a colisão de seus ventos estelares gera aglomerados densos de poeira rica em carbono. A cada 25 anos, um novo “braço” dessa espiral de poeira é ejetado e começa a se expandir para o espaço.

A pesquisa foi publicada na última quarta-feira (19) no The Astrophysical Journal.

“Este é um sistema único, com um período orbital incrivelmente raro”, explicou Ryan White, estudante de doutorado da Universidade Macquarie, na Austrália. Enquanto a maioria dos sistemas binários Wolf-Rayet com poeira tem órbitas curtas, o longo ciclo de 190 anos do Apep é uma exceção.

Observações anteriores, feitas em 2018 por um telescópio no Chile, haviam detectado apenas a espiral mais brilhante e interna. O instrumento de infravermelho médio do JWST, no entanto, iluminou a cena completa, revelando uma série de estruturas concêntricas aninhadas, que registram os encontros estelares dos últimos 700 anos.

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