Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 12 de abril de 2026 · 2 min de leitura ·

Adoçantes artificiais podem alterar o metabolismo de gerações futuras, indica estudo

Adoçantes artificiais podem alterar o metabolismo de gerações futuras, indica estudo

O uso de adoçantes não nutritivos (NNS), como a sucralose e a estévia, tem sido amplamente adotado como uma estratégia para reduzir a ingestão de calorias e controlar o peso. No entanto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já questionou os benefícios a longo prazo dessas substâncias, sugerindo que elas podem não auxiliar no controle de peso e podem estar ligadas a riscos aumentados de diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.

Um novo estudo conduzido por pesquisadores da Universidade do Chile, publicado na revista Frontiers in Nutrition, traz um alerta ainda mais profundo: os efeitos desses adoçantes podem ser transmitidos para as gerações seguintes, mesmo que os descendentes nunca tenham consumido os aditivos.

A pesquisa analisou três gerações de camundongos (F0, F1 e F2). Apenas a geração original (F0) recebeu água com sucralose ou estévia, enquanto as gerações subsequentes consumiram apenas água pura.Os resultados mostraram alterações significativas na expressão de genes ligados à inflamação e ao metabolismo:

Os cientistas observaram que os adoçantes alteram drasticamente o microbioma intestinal, o que parece ser a chave para a transmissão desses efeitos.

De acordo com o estudo, a sucralose não é bem metabolizada e permanece mais tempo no cólon, exercendo uma pressão seletiva maior sobre as bactérias intestinais. Já os glicosídeos de esteviol (estévia) são hidrolisados mais rapidamente, o que pode atenuar seu impacto.

Embora o estudo tenha sido realizado em modelos animais – o que permite um controle rigoroso de variáveis –, os pesquisadores ressaltam que os achados servem como sinais biológicos precoces.

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