
Quando você pensa nos maiores riscos ambientais do planeta, provavelmente imagina derramamentos de petróleo ou usinas nucleares em pane. Mas existe uma bomba-relógio radioativa bem no meio do Pacífico que poucos conhecem — e ela está começando a vazar.
O Domo de Runit, apelidado de “O Túmulo”, é uma estrutura de 115 metros de diâmetro construída sobre uma cratera criada por uma explosão nuclear de 18 quilotons em 1958. O teste, batizado de “Cactus”, deixou um buraco gigante na Ilha Runit, no Atol de Enewetak, nas Ilhas Marshall.
Entre 1977 e 1980, os militares americanos preencheram essa cratera com mais de 120 mil toneladas de solo e detritos contaminados pelos testes nucleares na região. Por cima, colocaram uma tampa de concreto. A ideia era simples: enterrar o problema e esperar que ele desaparecesse com o tempo.
Quase 50 anos depois, a estrutura não está mais tão sólida assim. Rachaduras no concreto revelam que o domo está mais vulnerável do que se imaginava, especialmente com o avanço do nível do mar sobre as margens estreitas da ilha.
A química Ivana Nikolic-Hughes, da Universidade Columbia, viu essas rachaduras pessoalmente em 2018 durante uma coleta de amostras de solo. Em suas pesquisas, ela encontrou níveis elevados de radiação e quantidades significativas de cinco radionuclídeos no solo da ilha, fora do domo.
“Considerando que o nível do mar está subindo e há indicações de que as tempestades estão se intensificando, nos preocupamos que a integridade do domo possa estar em perigo”, disse Nikolic-Hughes ao jornalista Kyle Evans, da Australian Broadcasting Corporation.
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