
Pesquisadores do Instituto Max Planck de Química mediram concentrações de metano na Amazônia significativamente acima do que os modelos climáticos e de sistemas terrestres estimavam. Em algumas áreas de zonas úmidas, as emissões chegam a quatro vezes o valor calculado pelos modelos. Os resultados foram publicados no periódico Geophysical Research Letters em julho de 2026.
O estudo foi conduzido por Linda Ort, química atmosférica e autora principal da pesquisa. A equipe internacional coletou dados ao longo de dois meses, entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023 — período que corresponde à transição entre a estação seca e a chuvosa na região.
Essa janela temporal é relevante porque as queimadas de biomassa tipicamente não ocorrem nessa fase, o que significa que as medições não foram fortemente afetadas por atividade humana. Embora as emissões de metano sejam mais altas durante a estação chuvosa e mais baixas durante a seca, os dois meses de coleta correspondem aproximadamente à média anual das emissões das zonas úmidas.
As medições foram feitas com sensores a bordo da aeronave de pesquisa HALO, que voou a altitudes entre 200 metros acima das copas das árvores e mais de 14 quilômetros.
Em mais de sete mil pontos de medição, a equipe utilizou um espectrômetro de absorção desenvolvido especificamente para o HALO, capaz de detectar metano com precisão mesmo a baixas pressões de ar, como as encontradas em grandes altitudes.
Para a análise, os pesquisadores dividiram toda a região amazônica em células de grade de 0,1 grau × 0,1 grau — resolução considerada alta para mapas de emissões.
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