Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 10 de setembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Amostras de asteroide podem mudar o que sabemos sobre origem da água na Terra

Amostras de asteroide podem mudar o que sabemos sobre origem da água na Terra

Cientistas descobriram que o asteroide Ryugu, cuja órbita passa perto da Terra, teve água líquida circulando em suas rochas por muito mais tempo do que se imaginava. A conclusão veio de amostras coletadas pela sonda japonesa Hayabusa2 e analisadas após chegarem à Terra em 2020. O estudo foi publicado na revista Nature nesta quarta-feira (10).

Até agora, acreditava-se que a água em asteroides só existia nos primeiros instantes do Sistema Solar, há cerca de 4,6 bilhões de anos. Mas Ryugu mostrou o contrário: a água continuou presente por até um bilhão de anos depois, o que pode mudar o entendimento sobre a origem de parte da água dos oceanos da Terra.

Ryugu é um asteroide carbonáceo em formato que lembra um pião. Ele se formou a partir de gelo e poeira na região externa do Sistema Solar. Por isso, é visto como um “registro fóssil” da infância do Sol e dos planetas.

A grande surpresa, dizem os cientistas, foi encontrar sinais de que a água permaneceu ativa nesse asteroide por tanto tempo. “A água ficou por muito mais tempo e não se esgotou rapidamente, como imaginávamos”, disse Tsuyoshi Iizuka, pesquisador da Universidade de Tóquio, em comunicado.

Se isso aconteceu com Ryugu, pode ter acontecido também com outros asteroides semelhantes. Isso reforça a ideia de que eles podem ter ajudado a trazer água para a Terra primitiva.

Para chegar à descoberta, a equipe analisou isótopos radioativos de lutécio e háfnio nas amostras. Esses elementos funcionam como um tipo de relógio natural da geologia.

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