Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 6 de fevereiro de 2026 · 2 min de leitura ·

Angra 3: sem decisão, Eletronuclear pode colapsar já no mês que vem

Angra 3: sem decisão, Eletronuclear pode colapsar já no mês que vem

Os impasses envolvendo a usina nuclear Angra 3, em Angra dos Reis (RJ), prejudicam a conclusão das obras. Em entrevista exclusiva ao Olhar Digital, o presidente da ABEN – Associação Brasileira de Energia Nuclear, Carlos Henrique Silva Seixas, afirmou que a ausência de uma decisão clara sobre a usina gera um custo de cerca de R$ 1 bilhão por ano aos cofres públicos.

Com isso, a empresa de geração de energia Eletronuclear corre o risco de entrar em colapso financeiro já nas próximas semanas. A informação foi revelada pelo presidente interino da estatal, Alexandre Caporal, ao g1. Segundo ele, a companhia tem recursos em caixa apenas até meados de março.

A principal medida emergencial solicitada pela Eletronuclear é a suspensão temporária da cobrança de quase R$ 7 bilhões em dívidas relacionadas a Angra 3 junto a bancos públicos. A ideia é repetir a solução adotada em 2024, quando os credores concordaram em interromper as cobranças por seis meses, garantindo fôlego financeiro à companhia enquanto o tema permanecia sem definição.

Caporal defende que a continuidade dessa suspensão é fundamental para a sobrevivência da estatal até que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) decida se a usina será concluída ou abandonada em definitivo. Ele comparou a situação aos Correios, estatal que também enfrenta crise financeira: “Se não houver uma solução, seremos os Correios amanhã”.

As obras de Angra 3 estão paralisadas há cerca de uma década, e a indefinição sobre o empreendimento se arrasta há anos. Em 2025, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, chegou a afirmar que o governo tomaria uma decisão até o fim do ano, o que não aconteceu.

Caporal afirmou que, neste momento, a Eletronuclear não solicita recursos diretos do Tesouro Nacional para honrar seus compromissos. Ainda assim, os custos são altos: apenas em 2026, a dívida de Angra 3 deve chegar a R$ 800 milhões. Contato os valores de manutenção do canteiro e das instalações, os gastos ultrapassam R$ 1 bilhão por ano.

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