
Com 518 anos, o animal mais velho do planeta apareceu nas proximidades de Belize, no Caribe, há milhares de quilômetros do seu habitat natural. O tubarão-da-Groenlândia vive no Ártico, em águas extremamente frias e profundas. Por isso, é menos estudado do que outras espécies e suas aparições são consideradas raras. Segundo cientistas, esses tubarões podem viver pelo menos 400 anos, o dobro da expectativa de vida do animal terrestre mais longevo, a tartaruga-gigante.
A ingestão da carne desses tubarões pode induzir sintomas semelhantes à embriaguez grave em seres humanos, e as neurotoxinas presentes podem ser incapacitantes. A toxicidade está relacionada ao óxido de trimetilamina (TMAO) encontrado nos tecidos da carne dos animais, uma adaptação que os auxilia a resistir aos efeitos adversos do frio intenso e da alta pressão da água.
Embora haja antigas lendas sobre ataques a caiaques, não existem registros documentados relacionados aos tubarões-da-Groenlândia. Além disso, é extremamente improvável avistar o animal. A primeira filmagem dessa espécie só aconteceu em 1995, e foi preciso esperar mais 18 anos para obter um vídeo que os retratasse em seu habitat natural.
Embora todos os tubarões sejam de sangue frio, essa espécie em particular prospera em ambientes extremamente gelados. Os tubarões-da-Groenlândia preferem permanecer em águas que variam de -1°C a 10°C, migrando para as regiões mais frias a cada estação. Eles são os únicos tubarões conhecidos por tolerar as condições árticas durante todo o ano.
Alessandro Di Lorenzo é editor do Olhar Digital e formado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Bruno Capozzi é jornalista, mestre em Ciências Sociais e editor executivo do OD.
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