Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 15 de abril de 2021 · 2 min de leitura ·

Apenas 3% das terras do nosso planeta não foram estragadas por humanos, diz estudo

Apenas 3% das terras do nosso planeta não foram estragadas por humanos, diz estudo

Segundo um estudo recentemente publicado na revista Frontiers in Forests and Global Change, apenas 3% das terras da Terra estão intactas, ou seja, não foram degradadas pelo homem. A pesquisa fez um levantamento sobre os ecossistemas do mundo e apontou ainda que, dentre os poucos intactos, 11% fazem parte de áreas protegidas.

Para biólogos, ecossistemas ecologicamente intactos se tratam de um conjunto de relações complexas que sustentam uma diversidade de vida inalterada por nós. Grande parte de habitat preservados estão nas latitudes do norte, nas florestas boreais do Canadá ou na tundra da Groenlândia. Partes das florestas tropicais ricas em espécies da Amazônia, Congo e Indonésia também fazem parte dessa conta.

“Estes são os melhores dos melhores, os últimos lugares da Terra que não perderam uma única espécie que conhecemos”, diz Oscar Venter, um cientista conservacionista da University of Northern British Columbia em Prince George que não estava envolvido no estudo. Segundo ele, é crucial identificar esses locais, assim como regiões ameaçadas de desenvolvimento e que precisam de proteção, como é o caso da floresta amazônica.

Há muitos anos cientistas conservacionistas tentam mapear a degradação da Terra por humanos. De acordo com o biólogo Andrew Plumptre, da Universidade de Cambridge, satélites não são capazes de captar todos os agravantes da atual situação. Uma manada com menos animais, por exemplo, pode parecer intacto do espaço, mas fazer toda a diferença dentro de um ecossistema que depende uns dos outros para funcionar.

“A caça, os impactos das espécies invasoras, as mudanças climáticas podem prejudicar os ecossistemas, mas não podem ser facilmente detectados via satélite”, explicou o especialista.

Para a pesquisa, Plumptre e seus colegas procuraram habitats que tivessem seu conjunto de espécies completo de forma natural a partir de 1500 D.C. Como terras com grandes extensões são necessárias para manter espécies, os pesquisadores consideraram apenas áreas maiores que 10 mil quilômetros quadrados. O grupo combinou dados sobre a integridade do habitat abrangendo 7.500 espécies de animais e levando em consideração as que foram perdidas.

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