Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 20 de outubro de 2025 · 2 min de leitura ·

“Arroto” do oceano Antártico pode liberar calor acumulado por séculos

“Arroto” do oceano Antártico pode liberar calor acumulado por séculos

Um artigo publicado este mês na revista AGU Advances alerta para um possível efeito colateral natural da recuperação climática: o Oceano Antártico deve liberar parte do calor acumulado ao longo do último século caso as temperaturas globais comecem a cair. Segundo o estudo, esse processo – apelidado de “arroto oceânico” – poderia gerar um novo período temporário de aquecimento, mesmo após a redução das emissões de dióxido de carbono (CO₂).

Os oceanos têm sido aliados importantes no combate ao aquecimento global. Eles absorvem cerca de 25% do CO₂ emitido pelas atividades humanas e mais de 90% do calor gerado por essas emissões. Essa capacidade tem ajudado a conter o aumento das temperaturas. No entanto, ainda se sabe pouco sobre como as águas oceânicas reagirão quando o planeta começar, de fato, a esfriar.

O estudo concentrou-se no Oceano Antártico, uma das regiões mais dinâmicas e essenciais do sistema climático. Para investigar seu comportamento em um cenário de emissões líquidas negativas, os cientistas usaram o modelo climático UVic v.2.9 da Universidade de Victoria, Canadá, que combina simulações de atmosfera, oceanos, gelo marinho e biosfera terrestre.

No experimento, as emissões de CO₂ aumentaram até dobrar a concentração atual na atmosfera em 70 anos. Depois disso, o modelo simulou uma redução acentuada nas emissões e um longo período de remoção de carbono. Essa mudança permitiu observar como o oceano responderia ao resfriamento global gradual.

Os resultados mostraram que, após séculos de emissões negativas, o Oceano Antártico liberou parte do calor acumulado nas camadas profundas. Esse “arroto” gerou aquecimento temporário por décadas a séculos, enquanto a liberação de CO₂ permaneceu pequena.

Isso indica que o oceano pode reagir de forma inesperada mesmo diante do resfriamento global. Compreender como calor e carbono se acumulam e se dispersam é essencial para melhorar previsões climáticas. 

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