
Na noite de quarta-feira (8), a tripulação da missão Artemis 2 realizou a primeira (e última) coletiva de imprensa diretamente do espaço (assista aqui). Christina Koch, Victor Glover, Jeremy Hansen e Reid Wiseman compartilharam as emoções de uma jornada histórica que os levou para além do lado oculto da Lua. Agora, os quatro astronautas se preparam para o momento mais crítico da viagem: a violenta reentrada na atmosfera terrestre.
O retorno está previsto para esta sexta-feira (10), às 21h07 (pelo horário de Brasília), com a cápsula Orion caindo no Oceano Pacífico, perto da costa sul da Califórnia. O encerramento da missão marca o sucesso do primeiro voo tripulado do programa Artemis, da NASA. Na segunda-feira (6), eles atingiram a distância de 407 mil km, superando em mais de seis mil km a marca da Apollo 13, recordista até então, e tornando-se os humanos que foram para mais longe da Terra na história.
Agora, enquanto se afasta da Lua, a tripulação se prepara para encarar o desafio térmico da volta para casa. Ao atravessar a atmosfera da Terra, a nave deve atingir a velocidade de 38.365 km/h, gerando um atrito tão intenso que o ar ao redor da cápsula se tornará incandescente. Essa fase de alto risco colocará o escudo térmico à prova sob temperaturas extremas. Apesar do iminente perigo, o clima entre os astronautas é de gratidão pelas memórias inesquecíveis que construíram juntos.
O momento mais tocante da jornada ocorreu quando a tripulação manifestou a intenção de nomear uma cratera lunar em homenagem a Carroll Taylor Wiseman. Ela era esposa do comandante da missão, Reid Wiseman, e faleceu de câncer em 2020. A ideia partiu dos outros três astronautas ainda durante a quarentena, antes do lançamento em 1º de abril. O gesto demonstrou a profunda conexão pessoal desenvolvida entre os membros da equipe.
Hansen foi o responsável por comunicar a decisão ao Controle da Missão na Terra. “Existe uma formação em um local muito interessante e, em certos momentos do trânsito da Lua ao redor da Terra, poderemos vê-lo. Gostaríamos de chamá-lo de Carroll”.
A homenagem causou uma forte reação emocional dentro da cápsula Orion. Wiseman revelou que não se sentia capaz de fazer o anúncio e contou com o apoio total de seus colegas. “Olhei para o lado e vi Christina chorando. Coloquei a mão sobre a de Jeremy enquanto ele falava e percebi que ele estava tremendo; todos nós desabamos em lágrimas ali mesmo”.
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