Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 9 de outubro de 2025 · 2 min de leitura ·

Astrônomos descobrem estrela formada logo após o Big Bang

Astrônomos descobrem estrela formada logo após o Big Bang

Astrônomos identificaram uma estrela que pode ser a mais “primitiva” já encontrada, oferecendo uma rara janela para o passado cósmico logo após o Big Bang. A descoberta foi liderada por Alexander Ji, da Universidade de Chicago, e documentada no repositório científico arXiv, que reúne estudos ainda em pré-publicação.

O objeto celeste, batizado de SDSS J0715-7334, é uma gigante vermelha com a menor quantidade de metais — ou elementos pesados — já registrada em uma estrela. Esse tipo de análise é essencial para entender como os primeiros astros surgiram e como a formação de elementos mais complexos deu origem à diversidade química do universo atual.

De acordo com o estudo, SDSS J0715-7334 apresenta uma metalicidade total (Z) inferior a 7,8 × 10⁻⁷, o menor valor já observado. O número é quase duas vezes menor que o da antiga recordista, J1029+1729, e mais de dez vezes inferior ao da estrela mais pobre em ferro conhecida, SMSS J0313-6708.

Os astrônomos explicam que estrelas consideradas “prístinas” são aquelas praticamente desprovidas de elementos pesados, formadas em períodos muito próximos à origem do universo. Esses metais surgem apenas após sucessivas gerações de supernovas, que espalham novos elementos pelo espaço. Assim, quanto menor a presença de metais, mais antiga tende a ser a estrela.

Além da escassez de ferro, os pesquisadores observaram que SDSS J0715-7334 também tem níveis excepcionalmente baixos de carbono, o que a torna ainda mais incomum. Mesmo outras estrelas conhecidas por conter pouco ferro costumam exibir maiores quantidades desse elemento.

Segundo a equipe, o padrão químico da estrela indica que ela se formou a partir do gás remanescente de uma supernova de uma estrela da População III, um grupo de astros hipotéticos que teriam sido os primeiros a existir após o Big Bang.

Compartilhe