Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 18 de março de 2026 · 2 min de leitura ·

Astrônomos detectam colisão entre planetas a 11 mil anos-luz da Terra

Astrônomos detectam colisão entre planetas a 11 mil anos-luz da Terra

Astrônomos identificaram evidências de uma colisão violenta entre dois planetas em um sistema estelar distante, em um evento que pode ajudar a explicar como mundos como a Terra e sua Lua se formam. A descoberta foi possível após a observação de um comportamento incomum em uma estrela até então considerada estável.

A estrela em questão é a Gaia20ehk, localizada a cerca de 11 mil anos-luz da Terra e que, até poucos anos atrás, apresentava um padrão regular de luminosidade. Esse cenário mudou a partir de 2016, quando foram registradas quedas abruptas no brilho. Em 2021, as variações se tornaram ainda mais intensas e irregulares, chamando a atenção dos pesquisadores.

Segundo a equipe liderada por Anastasios Tzanidakis, da Universidade de Washington, as alterações não eram causadas pela própria estrela, mas por uma grande quantidade de poeira e fragmentos rochosos passando à sua frente. De acordo com o estudo publicado este mês sobre o tema, a origem desse material seria a colisão entre dois planetas que orbitavam o sistema.

O fenômeno foi acompanhado por diversos telescópios, o que permitiu registrar o evento em tempo quase real – algo raro na astronomia. Casos semelhantes já foram observados, mas poucos apresentam características comparáveis a um impacto de grande escala, como o que se acredita ter formado a Lua há cerca de 4,5 bilhões de anos.

A análise em diferentes comprimentos de onda foi fundamental para entender o ocorrido. Enquanto a luz visível da estrela diminuía, os sensores infravermelhos detectaram um aumento significativo de emissão, indicando a presença de material aquecido. Esse comportamento sugere que os detritos da colisão estavam a altas temperaturas, compatíveis com um impacto de grandes proporções.

Os cientistas acreditam que o processo pode ter ocorrido em etapas. Inicialmente, os dois planetas teriam passado por colisões menores, liberando pouca energia. Em seguida, um choque mais intenso teria gerado uma nuvem densa de fragmentos e calor, responsável pelas alterações observadas.

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