Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 5 de fevereiro de 2026 · 2 min de leitura ·

Buraco negro pode ter enviado um “visitante” à Terra

Buraco negro pode ter enviado um "visitante" à Terra

Um artigo aceito para publicação pela revista Physical Review Letters apresenta uma possível explicação para a origem de uma partícula considerada “impossível” que atingiu a Terra em 2023. Segundo a pesquisa, ela pode ser um fragmento da explosão de um buraco negro primordial, formado nos primeiros instantes do Universo, logo após o Big Bang.

Caso essa hipótese seja confirmada, além de reforçar a existência desses buracos negros primitivos, o trabalho pode ajudar a desvendar a natureza da matéria escura, um dos maiores mistérios da física atual.

A partícula detectada foi um neutrino com energia cerca de 100 mil vezes superior à dos eventos mais energéticos já produzidos em laboratório, inclusive no Grande Colisor de Hádrons, o maior acelerador de partículas do mundo.

Esse nível de energia é tão extremo que não pode ser explicado por fenômenos cósmicos conhecidos. Explosões de estrelas, colisões entre galáxias ou jatos de buracos negros comuns não seriam capazes de produzir um neutrino tão poderoso.

Diante disso, pesquisadores da Universidade de Massachusetts (UMass) em Amherst, nos EUA, sugerem que o neutrino pode ter sido liberado no momento final da vida de um buraco negro primordial em uma condição crítica, próximo do seu limite físico, um tipo ainda teórico de objeto cósmico.

A ideia se baseia na chamada radiação Hawking, proposta pelo físico Stephen Hawking, que prevê que buracos negros não são completamente estáveis, mas sim perdem energia lentamente ao emitir radiação térmica para o espaço. Quanto menor e mais quente for um buraco negro, mais intensa será essa emissão. Com o tempo, ele perde massa, aquece ainda mais e entra em um processo acelerado que termina em uma explosão final.

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